Chegada da referência ao estado amplia acesso a informações e fortalece estratégias de comercialização
O Rio Grande do Sul deverá passar a contar com um novo indexador para o mercado do boi gordo. A Datagro iniciou o processo de implantação de seu indicador de preços no estado, ampliando para o Sul do país uma metodologia que já opera em importantes regiões pecuárias brasileiras e que, desde 2025, serve como referência oficial para a liquidação dos contratos futuros de boi gordo negociados na B3.
A proposta será apresentada oficialmente amanhã durante a etapa gaúcha do circuito “Indicador do Boi Datagro na Estrada”, marcada para Porto Alegre. O projeto conta com o apoio da Associação Brasileira de Angus, por meio do Programa Carne Angus Certificada, e busca ampliar a representatividade das informações de mercado em uma das regiões mais tradicionais da pecuária nacional.
Segundo João Figueiredo, líder da Área de Pecuária da Datagro, a construção do indicador passa por uma ampla coleta de informações junto aos diferentes agentes da cadeia produtiva. “O Indicador do Boi Datagro chegará ao mercado gaúcho muito em breve. Estamos coletando dados junto aos frigoríficos e aos produtores e finalizando a conferência para garantir um indicador fiel à realidade do mercado”, afirma Figueiredo.
Além da apresentação do novo indexador, o encontro reunirá especialistas do mercado financeiro, corretoras e representantes da cadeia pecuária para discutir estratégias de comercialização, operações em bolsa e perspectivas para o setor em 2026. A proposta é aproximar os produtores das ferramentas de proteção de preços e dos mecanismos utilizados para reduzir exposição às oscilações do mercado.
Para Wilson Brochmann, diretor do Programa Carne Angus Certificada, o intercâmbio de informações é um dos principais ganhos da iniciativa. “Esse tipo de encontro promove um ganha-ganha porque a troca de dados e informações ajuda a impulsionar os negócios em diferentes níveis”, destaca Brochmann.
A chegada do indicador ao Rio Grande do Sul também amplia a cobertura nacional da ferramenta, atualmente presente em nove estados e baseada em uma coleta auditada de dados que abrange mais de 60% do abate brasileiro. Criado em 2019, o sistema reúne informações provenientes de milhares de produtores e plantas frigoríficas distribuídos por mais de mil municípios.
Em um cenário de margens mais apertadas e maior sofisticação da gestão pecuária, iniciativas desse tipo refletem uma tendência observada em toda a cadeia da carne bovina: a crescente valorização de informações confiáveis como instrumento para tomada de decisão, planejamento financeiro e mitigação de riscos.




