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Mudança climática acelera revolução biológica no agro

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Ampliação do controle biológico e preservação da biodiversidade microbiana tornar a produção agrícola mais resiliente. Foto: Alfredo Tsuzuki

Com eventos extremos pressionando a produção, bioinsumos avançam como estratégia para eficiência, sanidade e sustentabilidade

 

As mudanças climáticas deixaram de ser uma ameaça futura para se tornar um fator direto de pressão sobre a produtividade agrícola. Temperaturas mais altas, secas prolongadas e desequilíbrios sanitários já alteram o comportamento das lavouras e ampliam a busca por soluções capazes de tornar a produção mais resiliente. Nesse cenário, pesquisadores apontam os bioinsumos e o controle biológico como uma das principais fronteiras estratégicas da agricultura.

O debate ganhou força durante o BioSummit 2026, realizado em Campinas (SP), no qual especialistas defenderam a ampliação do uso de microrganismos benéficos e a preservação da biodiversidade microbiana como resposta aos impactos climáticos sobre o campo.

“A discussão sobre sustentabilidade frequentemente se limita ao aspecto econômico, deixando em segundo plano a proteção da biosfera e da biodiversidade, elementos fundamentais para o controle biológico”, afirma Wagner Bettiol, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente. Segundo ele, a preservação dos microrganismos é essencial para manter o equilíbrio dos sistemas agrícolas e garantir o funcionamento do controle biológico natural.

O pesquisador alerta que os limites planetários ligados às mudanças climáticas já foram ultrapassados, elevando a ocorrência de eventos extremos. Entre as alternativas desenvolvidas para enfrentar esse cenário, Bettiol destacou o Auras, solução criada pela Embrapa Meio Ambiente para reduzir os impactos do estresse hídrico nas plantas.

Além dos efeitos climáticos diretos, o aquecimento global também amplia o risco fitossanitário. “O aumento da temperatura reduz o ciclo de vida desses organismos, aumenta sua atividade e, portanto, a capacidade de disseminação dos patógenos”, afirma Bettiol, ao citar o avanço de doenças transmitidas por vetores, como o enfezamento do milho.

Outro ponto central do debate envolve a pegada ambiental dos insumos agrícolas. Segundo o pesquisador, a produção de um quilo de defensivo químico pode emitir entre 20 e 25 quilos de CO₂ equivalente, enquanto um quilo de bioinsumo gera entre 3 e 5 quilos.

A discussão também avançou sobre os efeitos fisiológicos dos microrganismos nas plantas. “Esses organismos modificam a fisiologia das plantas, melhorando sua nutrição e aumentando a eficiência no uso da água e reduzindo os efeitos dos estresses abióticos”, afirma Carlos Alexandre Cruciol, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Segundo Cruciol, organismos como Bacillus e fungos do gênero Trichoderma vêm demonstrando resultados relevantes no enfrentamento do déficit hídrico e na adaptação das plantas aos estresses ambientais. Para ele, a compreensão mais profunda dessas interações poderá representar uma nova revolução agrícola.

O avanço da adoção dessas tecnologias já aparece em escala nacional. Durante o evento, a jornalista especializada em agro Renata Maron destacou que a área tratada com bioinsumos no Brasil atingiu cerca de 194 milhões de hectares em 2025, número quatro vezes superior à média global. Em apenas cinco anos, a taxa de adoção passou de 22% para 47%.

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