A adoção de estratégias mais precisas de manejo pode levar a produtividade da cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil a um novo patamar. Pesquisadores do Instituto Agronômico (IAC) defendem que ajustes no calendário de plantio, na escolha de variedades e no manejo do canavial podem elevar o desempenho da cultura para entre 130 e 145 toneladas por hectare no primeiro corte, com potencial de chegar a 150 toneladas em condições ideais.
Segundo análise do diretor do IAC e líder do Programa Cana IAC, Marcos Landell, a distribuição mais regular de chuvas no início de 2026 favoreceu o vigor vegetativo das lavouras após um período de baixa precipitação no final de 2025, criando uma janela estratégica para reorganizar o sistema produtivo.
Entre as recomendações do instituto está priorizar o plantio entre março e maio, período considerado mais adequado para garantir o desenvolvimento inicial da cultura. Plantios fora desse calendário podem gerar perdas de até 40 toneladas por hectare, segundo o pesquisador.
Outra estratégia recomendada é a adoção da chamada Tecnologia do Terceiro Eixo, desenvolvida pelo Programa Cana IAC. O método busca reduzir o impacto do déficit hídrico e diminuir a queda natural de produtividade entre os ciclos da cultura. Atualmente, a perda do primeiro para o segundo corte varia entre 16% e 18%, mas a meta é reduzir esse índice para cerca de 10%.
“Em um cenário de 140 toneladas no primeiro corte, o segundo poderia ficar em torno de 126 toneladas e o terceiro permanecer acima de 110 toneladas”, explica Landell.
Essa estabilidade produtiva também pode reduzir a necessidade de reforma anual dos canaviais, que hoje ocorre em cerca de 15% a 18% das áreas, podendo cair para aproximadamente 10%.
Variedades corretas
Outro fator decisivo para elevar a produtividade está na escolha correta das variedades de cana. De acordo com o pesquisador, o padrão histórico de 60 mil a 70 mil colmos por hectare precisa evoluir para uma faixa entre 90 mil e 130 mil colmos, o que impacta diretamente o rendimento da lavoura.
Com esse avanço, a média de produção ao longo de cinco cortes pode superar 100 toneladas por hectare, consolidando ganhos estruturais na canavicultura. O impacto dessas mudanças também aparece na eficiência agroindustrial.
Atualmente, cada hectare de cana em São Paulo produz cerca de 6.800 litros de etanol. A meta do programa é elevar esse número para 9 mil litros por hectare no médio prazo. Para alcançar esse resultado, os pesquisadores recomendam combinar manejo adequado, nutrição equilibrada, variedades de alto potencial produtivo e irrigação em cerca de 15% das áreas cultivadas.
Segundo Landell, o objetivo do Programa Cana IAC é desenvolver pacotes tecnológicos integrados, capazes de levar a cultura a patamares de produtividade de três dígitos e manter esses níveis ao longo dos ciclos produtivos.




