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Especial AgroRevenda 5: as décadas que viram história

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Reflexões de quase 38 anos à frente do Grupo Publique e sobre o valor das pessoas que dedicam décadas a construir uma mesma empresa. Texto do Carlão da Publique encerra a série sobre personagens que constroem o legado do agro

 

Em um tempo em que as mudanças parecem acontecer cada vez mais rápido, histórias de profissionais que permanecem mais de três décadas em uma mesma empresa merecem ser celebradas.

Elas falam de compromisso, de propósito e, principalmente, de construção.

No agronegócio aprendemos desde cedo que as coisas importantes levam tempo. O campo ensina exatamente isso: plantar, cuidar, esperar e colher.

Por isso achei muito oportuna a proposta desta reportagem da AgroRevenda, que destaca pessoas que dedicaram mais de 30 anos de suas vidas a uma mesma companhia.

Em breve completarei 38 anos à frente do Grupo Publique, empresa que fundei em 13 de setembro de 1988.

Naquele momento eu tinha 23 anos e era estudante de Jornalismo na PUC de São Paulo. Como todo jovem empreendedor, tinha muito mais sonhos do que certezas, mas já carregava uma convicção forte: o agronegócio brasileiro tinha histórias extraordinárias para contar.

Costumo dizer uma frase que carrego comigo há muitos anos: Deus me ajuda uma barbaridade, especialmente pelas pessoas que Ele colocou no meu caminho ao longo dessas quase quatro décadas à frente do negócio.

E é verdade.

Se existe um segredo para trajetórias longas dentro de uma mesma organização, ele está nas pessoas.

O agronegócio sempre foi um setor construído sobre relacionamentos. Ao longo desses anos tive o privilégio de conviver com produtores, executivos, distribuidores, pesquisadores e tantos outros profissionais que fazem esse setor acontecer.

Quando olho para essa caminhada, gosto de dividi-la em décadas.

A primeira década foi dedicada a conhecer profundamente o produtor rural. Nosso trabalho estava focado principalmente em criadores de gado de elite e pecuaristas. Foi ali que aprendemos algo fundamental: para comunicar bem no agro é preciso entender a alma do produtor.

Foi também na transição entre a primeira e a segunda década da empresa que celebramos nossos primeiros 10 anos em grande estilo. Realizamos em São Paulo uma festa que reuniu cerca de 500 convidados e promovemos uma ativação que até hoje permanece na memória de quem participou.

Levamos para a Avenida Paulista — talvez o metro quadrado mais valorizado da América Latina — um touro da raça Limousin importado da França, pesando 1.508 quilos, e uma novilha Nelore de cerca de 750 quilos. Foi uma forma criativa e simbólica de mostrar que o agronegócio também tem lugar no coração da maior cidade do país.

A segunda década passou a ser dedicada ao trabalho com as empresas que vendiam para esses produtores. Indústrias de genética, nutrição, insumos e equipamentos passaram a confiar em nosso trabalho. E o diferencial estava justamente nesse conhecimento acumulado do universo do produtor rural — algo essencial para construir campanhas realmente conectadas com o campo.

A terceira década marcou a consolidação das nossas plataformas de mídia. Em 29 de abril de 2011, assumimos a Revista AgroRevenda, fortalecendo um canal de diálogo com um dos elos mais estratégicos do agronegócio: a distribuição de insumos.

Poucos anos depois, em 27 de agosto de 2014, nasceu o primeiro episódio do Programa Fala Carlão, com a proposta simples e poderosa de conversar com as pessoas que constroem o agronegócio brasileiro.

A quarta década marca a expansão e a internacionalização do nosso trabalho. Passamos a acompanhar grandes eventos no Brasil e no ext

erior, incluindo coberturas das conferências climáticas da ONU (COPs) e das principais feiras do agronegócio.

Nossa agência teve a felicidade de conhecer o sucesso relativamente cedo. E acredito que isso aconteceu por uma razão simples: sempre estivemos próximos dos nossos clientes.

Estar presente, ouvir, acompanhar o dia a dia do setor e caminhar junto com quem constrói o agro brasileiro sempre foi a nossa forma de trabalhar.

Quando vejo profissionais comemorando mais de 30 anos dentro de uma mesma empresa, sinto uma grande admiração.

Porque sei que essas trajetórias são feitas de dedicação, de confiança e de relações humanas verdadeiras.

O campo também nos ensina uma sabedoria antiga: há tempo de plantar e tempo de colher.

Toda colheita exige tempo. Mas as melhores nascem do cuidado, do trabalho bem feito e do respeito ao momento certo de plantar e de colher.
Talvez seja exatamente isso que essas histórias de décadas dentro de uma mesma empresa representam.

Não são apenas anos acumulados no calendário.

São sementes plantadas, cuidadas ao longo do tempo e que acabam se transformando em uma colheita de experiências, amizades e realizações.

E olhando para esses quase 38 anos de estrada, a palavra que melhor define essa caminhada é gratidão.

Gratidão pelas pessoas que estiveram conosco, pelos parceiros que confiaram em nosso trabalho e por um setor que nos ensinou todos os dias o valor de construir algo com raízes profundas.

Porque quando alguém dedica três ou quatro décadas a um mesmo projeto, o tempo deixa de ser apenas calendário.

Ele se transforma em história.

Porque no fim das contas, as melhores histórias também precisam de tempo para florescer.

 

Carlão da Publique é fundador do Grupo Publique e comunicador

do agronegócio brasileiro. Há quase quatro décadas na estrada

contando as histórias de quem constrói o agro.

 

 

 

 

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