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Força do agro se espalha por quase 1.500 municípios

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Exportações cresceram 8,2% em maio e reforçaram a importância do setor para geração de renda no interior

 

O agronegócio voltou a ser o principal motor das exportações brasileiras em maio. Segundo levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), o setor respondeu por 50,2% de tudo o que o país vendeu ao exterior no período, movimentando US$ 16 bilhões e registrando crescimento de 8,2% em relação ao mesmo mês do ano passado. Mais do que os números nacionais, o estudo evidencia um fenômeno que vem ganhando relevância: a expansão da presença do agro em economias locais espalhadas pelo território brasileiro.

Ao longo de maio, 1.496 municípios registraram exportações de produtos agropecuários, superando os 1.463 observados um ano antes. O avanço reforça o papel do comércio exterior como ferramenta de geração de renda, arrecadação e empregos fora dos grandes centros urbanos. Rio Verde (GO), impulsionado pela soja em grãos, liderou entre os municípios exportadores, com vendas de US$ 300,8 milhões.

No acumulado de 2026, as exportações do agronegócio alcançaram US$ 70,55 bilhões, alta de 4,6% sobre o mesmo período de 2025. Como as importações do setor somaram US$ 8,25 bilhões, o saldo da balança comercial agropecuária atingiu US$ 62,3 bilhões, reforçando a contribuição do segmento para o equilíbrio das contas externas brasileiras. No período, o agro respondeu por 47,5% das exportações totais do País.

A soja permaneceu como principal produto da pauta exportadora. O grão movimentou US$ 6,31 bilhões e respondeu sozinho por 39,4% de todas as vendas externas do agronegócio. Em seguida apareceu a carne bovina in natura, que alcançou US$ 1,7 bilhão e registrou expressivo crescimento de 50,2% na comparação anual, favorecida pelo aumento dos preços internacionais. O farelo de soja completou o trio de liderança, com US$ 954,2 milhões embarcados.

Entre os estados, Mato Grosso manteve a liderança nacional, com exportações de US$ 3,14 bilhões em maio, equivalente a quase um quinto de toda a pauta agroexportadora brasileira. São Paulo apareceu na sequência, com US$ 2,32 bilhões, destacando-se pela diversificação produtiva e pela ampla participação municipal nas vendas externas.

No mercado internacional, a China permaneceu como principal destino dos produtos agropecuários brasileiros, absorvendo US$ 6,28 bilhões em compras. Os Estados Unidos ficaram na segunda posição, com US$ 837 milhões, enquanto a Holanda completou o grupo dos principais compradores.

Apesar do desempenho positivo, o levantamento identifica sinais de atenção no relacionamento comercial com os norte-americanos. Nos últimos 12 meses, as exportações agropecuárias para os Estados Unidos recuaram 25,2%, afetando especialmente os segmentos florestal, sucroenergético, cafeeiro e de suco de laranja. O setor de processamento de madeira aparece entre os mais impactados, reflexo das barreiras tarifárias impostas recentemente e dos efeitos sobre a atividade econômica em municípios fortemente dependentes dessas cadeias produtivas.

Os dados reforçam que, embora a força exportadora do agro permaneça sólida, a competitividade brasileira dependerá cada vez mais da diversificação de mercados e da capacidade de adaptação a mudanças no ambiente global de comércio.

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