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Fertilizantes terão R$ 4 bi em novas linhas de crédito

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Recursos do Plano Brasil Soberano serão destinados a financiamento e capital de giro em um setor no qual o Brasil ainda importa quase 90% do que consome

 

Reduzir a vulnerabilidade brasileira no abastecimento de fertilizantes exige ampliar a produção doméstica, mas também criar condições financeiras para que a indústria invista e atravesse períodos de maior instabilidade internacional. O setor deverá contar com R$ 4 bilhões em linhas de crédito dentro do Plano Brasil Soberano 3, que prevê R$ 18,5 bilhões em financiamentos para segmentos estratégicos da economia.

O anúncio foi feito nesta terça-feira (25/08) pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, durante a abertura do 13º Congresso Brasileiro de Fertilizantes, promovido pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), em São Paulo.

Os recursos serão destinados a financiamentos e capital de giro, por meio de linhas do BNDES, e contemplam empresas afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos e pelos efeitos de guerras e crises geopolíticas. O Plano Brasil Soberano 3 será apreciado pelo Conselho Monetário Nacional nesta quarta-feira (26).

O crédito chega a uma cadeia estratégica para a produção agrícola brasileira, mas ainda fortemente dependente do mercado externo. Segundo Elias Alves Lima, presidente do Conselho de Administração da ANDA, o País importa quase 90% dos fertilizantes que consome.

Apesar das guerras, dificuldades logísticas e instabilidades internacionais, o abastecimento foi mantido. Entre janeiro e maio deste ano, foram entregues 15,46 milhões de toneladas de fertilizantes ao mercado brasileiro.

O debate, porém, não se restringe a garantir o produto no curto prazo. Durante o congresso, representantes do governo e do setor defenderam medidas para ampliar a produção nacional e reduzir a exposição brasileira às oscilações externas.

Alckmin informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá sancionar nos próximos dias o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), aprovado pelo Congresso e que prevê mecanismos de crédito fiscal para a produção.

Demanda tende a crescer

A expansão da agropecuária adiciona pressão à equação. O secretário-executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária, Cleber Soares, relacionou o aumento da produção agrícola à necessidade de ampliar a disponibilidade de adubos. Ele também destacou o programa de recuperação de terras degradadas, atualmente em escala de 1,5 milhão de hectares por ano, como outro vetor de demanda.

A produção de bioinsumos aparece como outra frente. Segundo Soares, quase 1.300 produtos foram produzidos no País nos últimos quatro anos, muitos deles fertilizantes.

Para o ex-ministro Roberto Rodrigues, o cenário geopolítico reforça a necessidade de coordenação. Ele defendeu uma estratégia integrada entre produtores rurais, instituições financeiras e governo para enfrentar as incertezas internacionais.

O conjunto das medidas mostra que a discussão sobre fertilizantes começa a ultrapassar a preocupação imediata com abastecimento. Crédito, capacidade industrial, diversificação de fontes e aumento da produção doméstica passam a integrar uma estratégia de redução de riscos para uma das cadeias mais dependentes de importações do agronegócio brasileiro.

 

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