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Brasil mira Angola para diversificar mercados no agro

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Agenda da ApexBrasil combina exportações, investimentos e parcerias empresariais para ampliar a presença brasileira em mercados africanos de longo prazo

 

Diversificar mercados deixou de ser apenas uma resposta às oscilações do comércio internacional e passou a integrar a estratégia de longo prazo das exportações brasileiras. Na África, onde demanda por alimentos, máquinas e tecnologia agrícola cresce de forma consistente, o desafio é transformar relações históricas em novos negócios. É nesse contexto que Angola se torna a primeira parada da Missão Empresarial África Austral 2026, organizada pela ApexBrasil.

Iniciada em Luanda, a missão reúne empresas brasileiras em agendas com compradores e potenciais parceiros locais. Mais do que ampliar vendas, a proposta é estimular investimentos e construir relações comerciais permanentes entre os dois países.

A escolha de Angola não é casual. Brasil e o país africano mantêm uma relação econômica construída ao longo de décadas e ainda concentrada em poucos segmentos. Em 2025, as exportações brasileiras somaram US$ 592 milhões, com destaque para alimentos, máquinas e equipamentos, veículos e produtos manufaturados. Na pauta agropecuária, açúcar, carnes, álcool e sementes figuram entre os produtos de maior participação.

Para André Queiroz, representante da ApexBrasil para a Bahia e líder da iniciativa, a diversificação vai além de reagir ao cenário internacional. “Significa ampliar nossa presença em mercados com os quais temos complementaridades econômicas, relações históricas e perspectivas de crescimento de longo prazo. E Angola ocupa uma posição muito importante nessa estratégia”, afirma.

A declaração ajuda a explicar a lógica da missão. O objetivo não é apenas recuperar volumes comerciais, mas ampliar a presença de empresas brasileiras em setores de maior valor agregado, incorporando projetos de investimento, cooperação empresarial e transferência de tecnologia.

África ganha peso estratégico

A agenda também reflete a crescente importância do continente para a política comercial brasileira. Em 2025, o comércio entre Brasil e países africanos alcançou US$ 23,7 bilhões, enquanto o Mapa de Oportunidades da ApexBrasil identificou mais de 5 mil oportunidades para produtos brasileiros em segmentos como máquinas, equipamentos, químicos, manufaturados e alimentos.

Depois de Luanda, a delegação seguirá para África do Sul, Zâmbia e Moçambique, onde participará de rodadas de negócios, visitas técnicas e ações de promoção comercial. Em Maputo, o Brasil será o País de Honra da FACIM 2026, ampliando a visibilidade das empresas brasileiras no continente.

Para o agronegócio, a estratégia representa uma mudança importante: a África deixa de ser vista apenas como mercado importador de commodities e passa a ser tratada como espaço para soluções tecnológicas, equipamentos, alimentos processados e parcerias produtivas de longo prazo.

 

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