Debates do CBFer mostram que reduzir vulnerabilidades passa também por importações diversificadas, infraestrutura, regulação e inovação
O Brasil precisa produzir mais fertilizantes, mas ampliar a fabricação doméstica, isoladamente, não resolve a vulnerabilidade de uma agricultura fortemente conectada ao mercado internacional. A construção de um abastecimento mais seguro passa também pela diversificação das origens das importações, infraestrutura, logística, ambiente regulatório, segurança jurídica e maior eficiência na utilização dos insumos.
Essa visão esteve no centro da 13ª edição do Congresso Brasileiro de Fertilizantes (CBFer), promovido pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). O encontro terminou com recorde de participação: foram 1.000 pessoas presencialmente e mais de 3.600 no ambiente on-line, entre elas mais de 350 participantes do exterior.

O número ajuda a dimensionar a importância que o tema ganhou para o agronegócio. Fertilizantes são parte essencial da estrutura produtiva brasileira e, diante da exposição do País ao mercado externo, acontecimentos ocorridos a milhares de quilômetros das lavouras podem interferir na disponibilidade e no custo dos produtos utilizados pelo agricultor.
Crises geopolíticas e efeitos do El Niño sobre as cadeias internacionais estiveram entre os fatores analisados no congresso. A discussão apontou para a necessidade de aumentar a capacidade de reação a rupturas no fornecimento e oscilações de preços e oferta.
A resposta defendida pelo setor não é fechar o mercado brasileiro. A estratégia passa por fortalecer a produção nacional e, simultaneamente, diversificar as fontes de importação, tornando o abastecimento externo mais eficiente e competitivo.
Essa combinação altera a própria discussão sobre dependência. Mais do que buscar autossuficiência, o desafio passa a ser construir resiliência: ter diferentes alternativas para que uma crise em determinado mercado, fornecedor ou rota logística provoque impacto menor sobre o produtor brasileiro.
Infraestrutura e logística entram diretamente nessa equação. Modernização regulatória e segurança jurídica também foram apontadas como condições necessárias para reduzir custos, melhorar a competitividade e favorecer novos investimentos na cadeia.
Usar melhor também é estratégico
Outra frente ganhou espaço nas discussões: não basta assegurar a disponibilidade dos fertilizantes. A eficiência com que esses produtos são utilizados também interfere na segurança da cadeia. Inovação, sustentabilidade e uso racional dos insumos apareceram associados ao desafio de elevar a produtividade agrícola sem simplesmente ampliar o consumo. Nesse cenário, tecnologia e manejo passam a integrar a estratégia de abastecimento.
A dimensão dos debates ajuda a explicar o público alcançado pelo CBFer. Além dos participantes presenciais e digitais, o encontro reuniu 16 patrocinadores, 12 expositores e 17 apoiadores de mídia.
Mais do que responder à próxima crise internacional, porém, a discussão aponta para uma agenda de longo prazo. Ampliar investimentos, enfrentar gargalos estruturais, estimular a produção brasileira e manter alternativas de fornecimento externo são peças de um mesmo sistema. Em um País cuja competitividade agrícola depende da disponibilidade desses insumos, segurança no abastecimento começa muito antes de o fertilizante chegar à propriedade.
CBFer 2026 em números
- 13ª edição do Congresso Brasileiro de Fertilizantes
- 1.000 participantes presenciais
- + de 3.600 participantes on-line
- + de 350 participantes internacionais
- 16 patrocinadores
- 12 expositores
- 17 apoiadores de mídia


