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Fertilizantes avançam, mas produção nacional perde força

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Navio com carga de fertilizantes, no Porto de Paranaguá (PR). Foto: Cláudio Neves / Portos do Paraná

Dados da ANDA mostram crescimento do consumo no campo e queda na fabricação doméstica de intermediários

 

O mercado brasileiro de fertilizantes iniciou 2026 em ritmo mais aquecido, refletindo a necessidade de abastecimento das principais regiões produtoras do país. No entanto, por trás do avanço das entregas ao produtor rural, os números revelam um desafio conhecido da agricultura nacional: a forte dependência de matérias-primas e insumos importados para sustentar a produção agrícola.

Dados divulgados pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA) mostram que as entregas de fertilizantes alcançaram 9,76 milhões de toneladas no primeiro trimestre deste ano, crescimento de 3,8% em relação às 9,40 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025. Apenas em março, o volume entregue chegou a 2,83 milhões de toneladas, alta de 18,7% sobre o mesmo mês do ano passado.

O desempenho reforça a importância dos fertilizantes para uma agricultura que busca manter elevados índices de produtividade mesmo em um ambiente marcado por juros elevados, restrições de crédito e incertezas geopolíticas. Mato Grosso permaneceu como principal consumidor do país, concentrando 25,2% das entregas nacionais no período, com 2,45 milhões de toneladas. Goiás, São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Bahia completam a lista dos maiores mercados.

Se pelo lado da demanda os números são positivos, o mesmo não ocorre na produção doméstica. A fabricação nacional de fertilizantes intermediários somou 1,41 milhão de toneladas entre janeiro e março, volume 16,2% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apenas em março, a produção recuou 9,7%, atingindo 483 mil toneladas.

Essa redução amplia o contraste entre consumo e capacidade produtiva nacional. Embora o Brasil esteja entre os maiores consumidores mundiais de fertilizantes, continua altamente dependente de fornecedores externos para suprir suas necessidades. A situação torna o setor especialmente sensível a oscilações cambiais, conflitos geopolíticos, gargalos logísticos e mudanças nas condições do comércio internacional.

As importações continuam sendo a principal fonte de abastecimento do mercado. No primeiro trimestre, o país adquiriu 8,15 milhões de toneladas de fertilizantes intermediários no exterior. Embora o volume represente redução de 4% em relação ao mesmo período de 2025, permanece muito superior à produção doméstica. Em outras palavras, para cada tonelada produzida internamente, várias outras continuam chegando de fornecedores internacionais.

A movimentação portuária ajuda a ilustrar esse cenário. Paranaguá, principal porta de entrada dos fertilizantes no Brasil, recebeu 2,12 milhões de toneladas no trimestre. Apesar da queda de 13,5% frente ao ano anterior, o terminal respondeu por 26,1% de todas as importações brasileiras do segmento.

O quadro reforça um debate que vem ganhando espaço no agronegócio: a necessidade de ampliar a produção nacional de insumos estratégicos. Nos últimos anos, iniciativas públicas e privadas passaram a discutir alternativas para reduzir a dependência externa e aumentar a segurança do abastecimento. Enquanto essas soluções avançam, o mercado segue operando em equilíbrio delicado entre a demanda crescente do campo e a necessidade de manter canais internacionais de suprimento funcionando com eficiência.

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