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Exportar soja exige cada vez mais controle e eficiência

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Exigências sanitárias e limitações logísticas ampliam os desafios da cadeia brasileira de grãos

 

A competitividade da soja brasileira já não depende apenas da produtividade obtida dentro da lavoura. Em um mercado global cada vez mais rigoroso, questões relacionadas à sanidade dos grãos, à armazenagem e à eficiência logística passaram a exercer influência direta sobre a capacidade do país de manter e ampliar sua presença nos principais destinos internacionais.

Esse cenário esteve em destaque durante um painel sobre pós-colheita realizado hoje na 40ª Reunião de Pesquisa de Soja (RPS), em Londrina (PR). Especialistas ligados à exportação, armazenagem e logística discutiram os desafios que surgem depois da colheita e que podem impactar diretamente a competitividade do agronegócio brasileiro.

Entre os temas centrais esteve o controle de pragas quarentenárias exigido pelos mercados importadores. A China, principal destino da soja e do milho brasileiros, mantém rígidos critérios fitossanitários para a entrada de produtos agrícolas. Segundo Fátima Parizzi, representante da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), diversas ações vêm sendo implementadas para reduzir riscos ao longo da cadeia produtiva.

 

“O objetivo é garantir que os produtos exportados atendam aos requisitos fitossanitários exigidos pelos mercados internacionais, evitando problemas e rejeições nos portos de destino”, afirma Fátima Parizzi.

A especialista explica que o foco está nas 11 espécies de pragas quarentenárias oficialmente reconhecidas pela China e presentes no Brasil. Segundo ela, o controle deve começar ainda no campo, por meio do manejo adequado das lavouras, reduzindo os riscos de infestação e seus impactos sobre a produtividade e a comercialização dos grãos.

Nas unidades armazenadoras, o desafio é impedir que cargas contaminadas avancem na cadeia logística. José Ronaldo Quirino, representante da Caramuru Alimentos, destacou que os controles começam na recepção dos produtos e seguem até a expedição. “Dependendo do nível de infestação encontrado, algumas cargas chegam a ser recusadas”, explica Quirino. Segundo ele, o monitoramento constante dos grãos armazenados é fundamental para garantir conformidade com as exigências internacionais.

Outro ponto debatido foi a infraestrutura necessária para escoar uma safra cada vez maior. Embora os portos brasileiros tenham avançado em capacidade operacional, persistem gargalos importantes na malha ferroviária, especialmente na região Sul.

Para Edenilson Oliveira, da Coamo, a discussão sobre a renovação da concessão da Malha Sul ferroviária representa uma oportunidade estratégica para o futuro do setor. “Entendo ser necessário pensar o sistema de forma integrada, ampliando as alternativas de transporte para as regiões produtoras e reduzindo a forte dependência do transporte rodoviário”, afirma Oliveira.

Na avaliação do especialista, a infraestrutura logística deve ser planejada com visão de longo prazo para acompanhar o crescimento da produção agrícola brasileira. “O planejamento precisa considerar horizontes de 10, 20 ou até 50 anos, garantindo que a infraestrutura acompanhe o crescimento da produção agrícola e preserve a competitividade do Brasil nos mercados internacionais”, ressalta Oliveira.

O debate evidenciou que, em um ambiente cada vez mais competitivo, produzir bem continua sendo fundamental. Mas assegurar qualidade sanitária, eficiência operacional e capacidade logística tornou-se igualmente decisivo para que a soja brasileira mantenha sua posição de liderança no comércio mundial.

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