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Exportações brasileiras ao Golfo reagem em junho

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Alta interrompe sequência de perdas provocadas pelo conflito regional, mas primeiro semestre ainda fecha no vermelho

 

As exportações brasileiras destinadas aos países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) voltaram a crescer em junho, interrompendo uma sequência de perdas provocadas pelas restrições logísticas decorrentes do conflito no Oriente Médio. As vendas alcançaram US$ 758,14 milhões, alta de 1,25% em relação ao mesmo mês de 2025, resultado que pode marcar o início de uma recuperação do fluxo comercial com uma das regiões mais importantes para o agronegócio brasileiro.

Embora o desempenho mensal represente um sinal positivo, o acumulado do primeiro semestre ainda reflete os impactos enfrentados desde fevereiro, quando o conflito na região passou a limitar o trânsito de embarcações pelo Estreito de Ormuz. De janeiro a junho, as exportações brasileiras para Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã somaram US$ 4,17 bilhões, queda de 4,01% frente ao mesmo período do ano passado.

Segundo a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, o setor exportador conseguiu reorganizar sua logística para manter o abastecimento da região. Mohamad Mourad, secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, afirma que o Brasil não perdeu espaço nos maiores mercados árabes. “O setor exportador encontrou rotas para fazer seus produtos chegarem ao Golfo, usando portos do Mar Vermelho, junto com modais rodoviário e aéreo. Os custos desse rearranjo estão sendo absorvidos por exportadores, importadores e consumidores finais. E a demanda ainda é similar à de tempos de paz”, destaca Mourad.

A perspectiva para os próximos meses também é considerada favorável em razão da preparação dos países islâmicos para o Ramadã de 2027. Tradicionalmente, a formação de estoques de alimentos começa ainda no segundo semestre do ano anterior, impulsionando embarques especialmente entre setembro e novembro. Na avaliação da entidade, esse movimento poderá contribuir para reduzir as perdas acumuladas desde o início do ano.

No conjunto dos 22 países da Liga Árabe, o desempenho já é positivo. As exportações brasileiras cresceram 3,73% no primeiro semestre, alcançando US$ 9,56 bilhões. O agronegócio respondeu por aproximadamente 75% desse total, com vendas de US$ 7,03 bilhões, avanço de 5% em relação ao mesmo período de 2025. Entre os destaques aparecem o milho (+49,51%), a soja (+14,19%) e a carne bovina (+7,33%), que compensaram parcialmente as quedas registradas nas exportações de açúcar (-7,45%) e carne de frango (-9,99%).

Para Mourad, o desempenho recente reforça a resiliência das relações comerciais entre o Brasil e os mercados árabes. O Brasil segue liderando o fornecimento de alimentos para os países árabes, inclusive para os do Golfo. Se continuarmos assim, podemos ter, inclusive, avanço nas receitas sobre o ano passado”, projeta. O comportamento das exportações no segundo semestre será decisivo para confirmar se a reação observada em junho representa apenas uma recuperação pontual ou o início de uma retomada mais consistente do comércio com a região.

 

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