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Estudo vê agro como motor da expansão florestal

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Relatório que será levado às COPs defende que produção rural, restauração e conservação podem avançar juntas no Brasil

 

A discussão sobre mudanças climáticas costuma colocar produção agropecuária e conservação ambiental em lados opostos. Um novo estudo elaborado por uma coalizão de instituições ligadas à sustentabilidade, ao setor florestal e ao agronegócio propõe justamente o contrário: a expansão das florestas brasileiras poderá ocorrer com participação decisiva do campo e sem comprometer a capacidade produtiva do País.

Essa é uma das principais conclusões da segunda edição do relatório O Protagonismo das Florestas Brasileiras na Agenda Climática Global, que será apresentado ao longo deste ano nas três principais conferências da ONU dedicadas ao clima, à biodiversidade e à desertificação. O documento foi desenvolvido por uma coalizão formada por instituições como Instituto Arapyaú, Agroicone, Ibá, Imazon, Amazônia 2030, CEBDS e Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura.

O levantamento sustenta que conservação, restauração florestal, silvicultura e agropecuária devem ser compreendidos como partes de uma mesma estratégia de desenvolvimento. Segundo os autores, uma parcela significativa da vegetação conservada do país já está localizada dentro das propriedades rurais, por meio das Reservas Legais e Áreas de Preservação Permanente previstas pelo Código Florestal. Além disso, milhões de hectares de áreas degradadas ou de baixa aptidão agrícola poderiam ser destinados à recuperação florestal, criando novas oportunidades econômicas para os produtores.

O estudo destaca que o Brasil tem potencial para ampliar sua cobertura florestal de 517 milhões para 525 milhões de hectares até 2035, adicionando cerca de 8 milhões de hectares de florestas. O avanço teria impacto direto na captura de carbono, na conservação da biodiversidade e na segurança hídrica.

Os autores também reforçam que o valor econômico das florestas vai muito além dos créditos de carbono. A publicação destaca funções como regulação climática, proteção dos solos, manutenção dos recursos hídricos e suporte à produção agropecuária. Um estudo internacional citado pelo relatório estima que as chuvas geradas pela Amazônia Legal representam aproximadamente US$ 20 bilhões por ano em benefícios para a agricultura brasileira.

A restauração florestal também aparece como oportunidade econômica. Segundo projeções mencionadas no documento, atividades ligadas à recuperação de áreas degradadas podem gerar até US$ 141 bilhões até 2050, considerando carbono, biomateriais, alimentos e bioenergia. O crescimento da produção de etanol de milho, por exemplo, já vem ampliando a demanda por biomassa florestal utilizada na geração de energia térmica.

Para Roberto Waack, presidente do Conselho do Instituto Arapyaú, é preciso fazer com que o capital natural e as soluções baseadas na natureza deixem de ser vistos apenas como uma agenda ambiental e passem a ocupar um lugar central na economia.

Na mesma linha, Rodrigo C. A. Lima, sócio-diretor da Agroicone, afirma que o estudo mostra que conservação florestal, restauração e produção agropecuária não são agendas concorrentes. Segundo ele, o Brasil pode fortalecer sua liderança global ao integrar agricultura, florestas e soluções climáticas em uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo.

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