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Especial AgroRevenda 4: José Geraldo e o cooperativismo

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Na Coopercitrus desde 1978, acompanhou a transformação da cooperativa de quatro lojas e menos de mil associados em uma das maiores organizações do agronegócio brasileiro

 

Quando José Geraldo da Silveira Mello fala da Coopercitrus, a impressão é de que sua própria história se confunde com a trajetória da cooperativa. Não é apenas uma metáfora. Ele está na organização desde 1978 e acompanhou praticamente todas suas fases de crescimento — de uma cooperativa ainda pequena, com poucas lojas e menos de mil associados, até a estrutura atual, que reúne dezenas de milhares de produtores rurais.

“Vou completar este ano 48 anos na cooperativa e ela completa 50 anos”, conta. “Realmente eu não imaginava essa longevidade, mas tudo isso demonstrou a minha dedicação, meu empenho, carinho e a minha paixão pelo cooperativismo.”

Hoje vice-presidente do Conselho de Administração da Coopercitrus, Mello construiu uma trajetória marcada pela proximidade com os cooperados e pela participação direta na expansão de um dos segmentos mais estratégicos da cooperativa: o de máquinas agrícolas.

Mas sua relação com o campo começou muito antes. Nascido no distrito de Botafogo, em Bebedouro (SP), ele cresceu em um ambiente profundamente ligado à atividade rural. “Eu sou neto de pecuarista. Sempre fui do campo”, relembra.

A convivência com a vida rural e a experiência prática no setor de máquinas agrícolas acabariam definindo o rumo da carreira. Ainda jovem, começou a trabalhar em uma oficina especializada em equipamentos agrícolas, que posteriormente se transformaria em uma pequena indústria de implementos. Foi nesse ambiente que teve o primeiro contato com a Coopercitrus.

A empresa fornecia equipamentos como pulverizadores, roçadeiras e carretas para a cooperativa, e o relacionamento com a instituição acabou abrindo caminho para um convite que mudaria sua trajetória profissional. “Eu tinha um relacionamento muito bom com a Coopercitrus”, lembra. Em 1978, após deixar a sociedade na empresa de implementos agrícolas, recebeu o convite para estruturar o departamento de máquinas da cooperativa. A missão não era simples.

Na época, a Coopercitrus possuía apenas uma pequena concessionária de tratores Valmet e praticamente nenhuma estrutura consolidada para trabalhar com implementos. “Fui convidado para montar o departamento de máquinas da Coopercitrus em 8 de outubro de 1978. Então a minha história começou aí.”

Um negócio dentro da cooperativa

Os primeiros anos foram de muito trabalho e persistência. A própria fabricante de tratores, segundo Mello, demonstrava resistência à ideia de uma cooperativa operar como concessionária. “Era muito difícil, porque a Valmet na época dizia que nós não tínhamos perfil para ser um concessionário”, recorda. Convencer a indústria do potencial da cooperativa levou tempo. Foram 16 anos de trabalho, segundo ele, até que a fábrica reconhecesse o potencial de expansão da operação. “Demorei 16 anos, de 1978 a 1994, para demonstrar para a fábrica a importância do cooperativismo.”

O reconhecimento acabou abrindo caminho para a expansão da rede. Em 1994, a cooperativa iniciou sua primeira ampliação relevante na área de concessionárias. Os resultados apareceram rapidamente. “Vendíamos 20 tratores por ano. Naquele ano foram 120”, lembra.

A partir dali, o crescimento ganhou ritmo. Hoje a rede conta com 21 concessionárias das marcas Valtra e Massey Ferguson, que pertencem ao Grupo AGCO, nos estados de São Paulo e Minas Gerais, consolidando a área de máquinas como uma das mais importantes da cooperativa. Ao longo das décadas, Mello acompanhou de perto a transformação da Coopercitrus. Quando entrou na organização, a cooperativa ainda estava em sua fase inicial de expansão.

“Eu iniciei na cooperativa quando ela tinha apenas quatro lojas e não tinha mil cooperados”, recorda. Hoje, o cenário é completamente diferente. A cooperativa reúne cerca de 42 mil associados, tornando-se uma das maiores organizações cooperativas do agronegócio brasileiro em número de produtores.

Para ele, essa evolução foi resultado de uma combinação de fatores que incluem gestão profissional, proximidade com os cooperados e uma estrutura sólida de governança. “Enfrentamos muitos desafios, planos econômicos, e superamos todos com muita governança, muita gestão, dedicação, honestidade, credibilidade e proximidade com os nossos cooperados.”

Segundo o dirigente, a governança é um dos pilares centrais para o sucesso de uma cooperativa. “Com tantos donos, com tantos cooperados, os nossos princípios e valores dentro da governança são fundamentais.” Ele destaca a importância de estruturas como o Conselho de Administração, o Conselho Fiscal e as assembleias anuais, que garantem transparência e participação dos associados. “Isso dá credibilidade e confiança para que possamos ter uma gestão exemplar.”

Ao longo dessa trajetória, ele afirma que também aprendeu uma lição central do cooperativismo: ninguém cresce sozinho. O desenvolvimento da cooperativa, segundo ele, sempre esteve ligado ao trabalho conjunto com fornecedores, agentes financeiros, colaboradores e, sobretudo, os próprios cooperados. “É uma cadeia que se complementa para que a cooperativa funcione, com o propósito de atender nossos cooperados, levando soluções, tecnologia e bons serviços.”

Depois de quase cinco décadas de atuação dentro da mesma organização, Mello também dedica parte do seu tempo à formação de novas lideranças dentro do cooperativismo. A Coopercitrus mantém programas de capacitação voltados aos jovens cooperados, e ele participa frequentemente de palestras sobre o tema. “Nós temos aqui os programas jovem cooperativista, nos quais eu faço palestra sobre a importância do cooperativismo.”

Segundo ele, preparar as novas gerações é essencial para garantir a continuidade das cooperativas. A cooperativa também investiu na criação de uma fundação educacional e em um centro de treinamento voltados à formação técnica de profissionais. “Fizemos todo um trabalho para a formação de pessoas, especialistas em mecânica e máquinas pesadas.”

O objetivo é fortalecer a sucessão no campo e aproximar os filhos de produtores da estrutura cooperativa. “Os nossos cooperados vão ficando mais velhos, idosos, e a necessidade é que esses jovens estejam interagindo com a cooperativa e entendendo os valores dela.”

Valores orientam trajetória

Ao falar sobre sua própria história, Mello também destaca um conjunto de valores pessoais que considera fundamentais para sua trajetória. Ele costuma dizer que sua vida pessoal e profissional sempre esteve profundamente ligada ao cooperativismo e ao agronegócio, setores nos quais construiu amizades, aprendizado e uma relação de confiança que atravessa décadas.

Essa confiança, segundo ele, é um dos pilares que explicam sua longa permanência na cooperativa. “A relação de confiança, credibilidade e proximidade com os cooperados faz com que a gente continue trabalhando todos os dias para levar a melhor solução para eles.” A fé também ocupa papel central em sua vida. “Sou muito religioso. Tenho muita fé e muita esperança.”

Além da atuação profissional, ele dedica parte significativa do seu tempo a atividades sociais e filantrópicas. Há quase três décadas participa de trabalhos voluntários ligados ao Hospital do Amor, em Barretos, além de colaborar com instituições como a APAE e o Educandário Santo Antônio. “São obras sociais voltadas para ajudar o próximo. Isso é o que dá sentido para a nossa vida.”

Para quem acompanhou de perto a evolução da Coopercitrus desde seus primeiros anos, essa visão resume bem o que considera a essência do cooperativismo. Uma trajetória construída ao longo de décadas — e que, para ele, continua sendo guiada pelo mesmo propósito: trabalhar para que os cooperados prosperem e para que a cooperativa siga forte para as próximas gerações.

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