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Especial AgroRevenda 3: André Savino e a paixão pela terra

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Executivo que iniciou a trajetória na gigante de defensivos agrícolas Syngenta ainda antes da consolidação da marca no país e hoje preside o negócio de proteção de cultivos no Brasil

 

Quando André Savino decidiu estudar Agronomia, a escolha não parecia óbvia para sua família. Nascido em São Paulo e sem tradição agrícola no ambiente familiar, ele ouviu questionamentos sobre o caminho profissional que estava prestes a seguir. Ainda assim, a decisão foi movida por algo que ele define como uma conexão pessoal profunda com a terra.

“Minha trajetória é movida por uma paixão profunda pela agricultura e pelo contato com a terra”, afirma.

Essa paixão se consolidou durante a graduação na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, onde Savino descobriu que o campo não era apenas um objeto de estudo, mas um ambiente onde desejava construir sua carreira. Mesmo sem raízes familiares no setor, a escolha acabaria definindo todo o seu percurso profissional.

Formado em 1996, ele ingressou na Syngenta dois anos depois, em 1998 — antes mesmo de a empresa existir com esse nome. A multinacional surgiria oficialmente apenas em 2000, a partir da integração de empresas que deram origem à companhia atual.

Desde então, Savino nunca mais saiu. “Me formei em 1996 e, em 1998, já estava trabalhando na companhia”, lembra.

Ao longo de mais de quase três décadas dentro da organização, ele acompanhou de perto não apenas a evolução da empresa, mas também as transformações da agricultura brasileira. A carreira começou no campo, como assistente técnico, função que o colocou em contato direto com produtores rurais e com os desafios cotidianos da produção.

Com o passar dos anos, Savino assumiu novas responsabilidades. Tornou-se representante técnico de vendas, trabalhou no desenvolvimento de estratégias comerciais para culturas importantes, como o algodão, e mais tarde passou a liderar áreas estratégicas da companhia.

Entre essas funções esteve a liderança do negócio de sementes de soja e proteção de cultivos, além da atuação como diretor de Marketing por mais de uma década. Essa trajetória culminou, em 2024, na nomeação para o cargo de presidente de Proteção de Cultivos da Syngenta no Brasil — posição criada para fortalecer a coordenação entre a organização comercial da empresa e seus parceiros no campo.

“A liderança deve ser pautada na inovação e na resiliência, mas também na simplicidade”, afirma. Para Savino, um dos diferenciais de construir uma carreira dentro de uma mesma companhia é a possibilidade de acompanhar sua evolução de forma orgânica. Ele participou da trajetória da Syngenta desde seus primeiros anos, acompanhando mudanças tecnológicas, transformações no mercado agrícola e a própria evolução do papel da empresa no setor.

“Poder fazer parte da companhia desde antes mesmo de ela se tornar a Syngenta que conhecemos hoje me ajuda a ter uma visão ampla e estratégica sobre de onde viemos e para onde queremos ir”, afirma. Essa experiência acumulada ao longo do tempo, segundo ele, ajuda a orientar decisões estratégicas no presente.

Entre os pilares que orientam sua atuação como executivo estão três princípios: proximidade com o produtor, foco em inovação e gestão orientada à qualidade. “Vejo que meu diferencial com essa experiência de casa é ser muito pautado por proximidade com o cliente, para entender as demandas dos produtores”, explica.

A tecnologia como aliada

Nos últimos anos, o avanço tecnológico tem transformado profundamente a forma como o agronegócio é gerido. Para Savino, a tecnologia deixou de ser apenas um recurso adicional e se tornou parte central da tomada de decisões no campo.

“A gestão do agronegócio hoje não pode ser separada da tecnologia”, afirma. Segundo ele, a velocidade das mudanças climáticas e a pressão biológica sobre as lavouras exigem respostas cada vez mais rápidas e baseadas em dados.

Na Syngenta, essa estratégia se materializa em plataformas digitais como o Cropwise, sistema que integra diferentes fontes de dados para gerar previsibilidade na gestão “agrícola. Entre as soluções que ela abarca está o Cropwise Balance, que permite ao produtor controlar custos e insumos com a simplicidade de um áudio de WhatsApp”, explica. A meta da empresa é conectar 100 milhões de hectares até 2030 por meio dessas tecnologias.

Para Savino, ferramentas como inteligência artificial têm papel crescente na gestão agrícola. “A IA otimiza e agiliza processos e dá previsibilidade para tomadas de decisões mais rápidas e eficazes”, afirma. Se a tecnologia ocupa papel central na agricultura moderna, Savino acredita que a sustentabilidade também se tornou um elemento decisivo para o futuro do setor. Para ele, o desafio da agricultura contemporânea é conciliar produtividade crescente com responsabilidade ambiental.

“O legado de uma agricultura que concilia produtividade com responsabilidade”, resume. Entre os exemplos citados pelo executivo está o programa Reverte®, iniciativa voltada à recuperação de áreas degradadas no Cerrado brasileiro. Realizado em parceria com o Itaú BBA e a organização The Nature Conservancy, o projeto já financiou a recuperação de mais de 280 mil hectares, com investimentos superiores a R$ 2 bilhões em crédito agrícola. A meta da iniciativa é ambiciosa: recuperar 1 milhão de hectares até 2030.

Olhando para o futuro

Depois de décadas de atuação dentro da mesma companhia, Savino também reflete sobre os valores que devem orientar os profissionais que estão começando agora no agronegócio. Para ele, a nova geração terá um papel decisivo na construção de uma agricultura mais tecnológica, produtiva e sustentável. “A nova geração deve se basear na inovação, resiliência e simplicidade”, afirma.

Ao mesmo tempo, destaca que o desafio não está apenas na adoção de novas tecnologias, mas também na capacidade de preservar e adaptar os aprendizados acumulados ao longo das décadas. “Acredito que, se inspirando nas conquistas das gerações passadas e adaptando o que precisa ser ajustado para o futuro, nossa agricultura continuará sendo uma força da nossa economia.”

Para alguém que construiu toda a carreira dentro de uma mesma empresa, a conclusão é quase inevitável: no agronegócio, assim como no campo, as transformações mais profundas costumam acontecer ao longo do tempo — e com a participação de pessoas dispostas a crescer junto com o próprio setor.

 

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