Embrapa amplia portfólio para o Cerrado com soja premium e novo maracujá voltado a mercados especiais
A Embrapa Cerrados lançou, durante a AgroBrasília 2026, a nova cultivar de soja BRS 7583, desenvolvida para produtores do Cerrado com foco em produtividade elevada, resistência fitossanitária e acesso ao mercado de soja não transgênica. O material é convencional, apresenta alta tolerância a nematoides de galha (Meloidogyne javanica) e pode superar 90 sacas por hectare em algumas regiões produtoras.
Segundo a Embrapa, a nova cultivar surge como alternativa para atender nichos internacionais voltados à soja livre de transgênicos, segmento que pode gerar bonificações relevantes ao produtor. “Por ser um material convencional, a BRS 7583 vai atingir esse nicho de mercado para soja livre de transgênico, que eventualmente pode pagar algum bônus ao produtor rural, chegando a 30% do valor do produto”, afirma André Pereira, pesquisador da Embrapa Cerrados.
Sebastião Pedro, pesquisador da Embrapa Cerrados, reforça que o diferencial vai além do mercado premium. “É uma variedade que cresce bem, não acama, tem excelente potencial produtivo e é muito sadia. Em uma época de altos custos de produção, é um material que exige menos defensivos e apresenta resistência superior a outros disponíveis no mercado”, destaca Pedro.
Adaptada para Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Bahia e Distrito Federal, a cultivar apresenta porte médio, boa resistência ao acamamento e ciclo entre 105 e 121 dias. O desempenho observado em campo também chamou atenção de produtores e entidades ligadas ao setor. “Ele plantou essa soja em uma área de abertura, no pior lugar da fazenda, e ainda assim colheu 12 sacas a mais que os outros materiais”, relata Luiz Fiorese, presidente da Fundação Cerrados e da Associação Soja Livre.
Além da BRS 7583, a Embrapa apresentou a BRS 8282, cultivar com alta concentração de ácido oleico voltada à produção de óleos especiais e biodiesel premium. “Esse material produz um óleo semelhante ao azeite de oliva ou ao óleo de uva. Com isso, apresenta alta estabilidade para fritura e também para a produção de biodiesel de alta qualidade”, afirma André Pereira, pesquisador da Embrapa Cerrados.
A feira também marcou a apresentação da BRS Maracujá Maçã, cultivar de maracujá silvestre voltada ao mercado de frutas especiais. O material possui polpa doce, aroma intenso e produtividade que pode alcançar 30 toneladas por hectare em sistemas adensados. “Nós buscamos, com o melhoramento genético, obter plantas interessantes para o produtor e para o consumidor”, afirma Fábio Faleiro, pesquisador da Embrapa Cerrados.
O lançamento reforça uma tendência crescente no agronegócio brasileiro: o avanço de cultivares voltadas não apenas para volume, mas para mercados especializados, eficiência agronômica e geração de valor agregado dentro das cadeias agrícolas.




