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Embrapa lança projeto para criar a ‘soja do futuro’ no Brasil

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Alex Canziani, Cristianne Nascimento , Alexandre Nepomuceno e Silvia Massruhá (no telão). Foto: Andrea Vilardo

Iniciativa da Embrapa com o Governo do Paraná investe em edição gênica, bioeconomia e biocombustíveis para ampliar o valor da soja e a exportação de grãos

 

Um novo movimento estratégico pode mudar o papel da soja brasileira na economia global. A Embrapa e o Governo do Paraná anunciaram um projeto de inovação voltado à agregação de valor da principal commodity agrícola do país, com investimento inicial de R$ 5 milhões para impulsionar pesquisa, tecnologia e novos usos industriais do grão.

A iniciativa foi formalizada hoje com a assinatura de uma Carta de Intenções durante o Dia de Campo de Verão da Embrapa Soja, em Londrina (PR), envolvendo também a Secretaria de Inovação e Inteligência Artificial do Paraná e a Fundação Araucária. O objetivo é transformar o estado em referência em bioeconomia e ampliar as aplicações da soja em setores industriais e energéticos.

Para a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, o projeto representa um passo importante para reposicionar a cadeia produtiva nas próximas décadas. “O tradicional Dia de Campo da Embrapa Soja é sempre um motivo de orgulho, mas este ano a celebração ganhou um peso especial com a assinatura da Carta de Intenções. Estamos desenhando a soja brasileira para as próximas décadas”, afirmou.

Segundo ela, o foco da iniciativa é ampliar o uso da oleaginosa em áreas como bioeconomia e transição energética. “Estamos olhando para a soja muito além da produção de proteína vegetal. A agregação de valor pode chegar a setores que até pouco tempo pareciam distantes do campo”, destacou.

O secretário de Inovação e Inteligência Artificial do Paraná, Alex Canziani, afirma que a meta é posicionar o estado não apenas como grande produtor agrícola, mas como polo de conhecimento e tecnologia. “Estamos mirando na ‘soja do futuro’. Por meio de edição gênica e melhoramento clássico vamos desenvolver variedades com perfil nutricional superior, melhor qualidade industrial e sustentabilidade energética”, disse.

Para o chefe-geral da Embrapa Soja, Alexandre Nepomuceno, o projeto também responde a um desafio estratégico para o Brasil: a forte dependência do mercado chinês. Segundo ele, o país exportou cerca de 80 milhões de toneladas de soja para a China em 2025, o equivalente a aproximadamente 80% das vendas externas brasileiras do grão.

“Existe uma tendência de redução dessa dependência, porque a China vem estimulando a produção em regiões mais próximas, como África, Rússia e Índia”, explicou. Diante desse cenário, Nepomuceno defende a ampliação das aplicações industriais da soja brasileira.

“Não adianta termos alta produção de grão se não tivermos para quem vender. Precisamos incentivar a agregação de valor e aproximar o setor químico, a indústria e as startups da cadeia da soja”, afirmou. Entre os potenciais novos produtos estão cosméticos, biocombustíveis, lubrificantes, asfalto, materiais industriais e até componentes usados em calçados e correias de máquinas.

O programa de pesquisa prevê quatro frentes principais: desenvolvimento de cultivares com perfis diferenciados de proteína e óleo, melhoria da eficiência nutricional para produção de carnes, avanço em biocombustíveis e novos usos industriais do óleo de soja.

Segundo a Fundação Araucária, o investimento inicial busca estruturar um programa integrado que conecte ciência, inovação e políticas públicas. “Estamos plantando hoje a base para que o Paraná se consolide como referência nacional e internacional em uma economia de base biológica”, afirmou Cristianne Cordeiro Nascimento, da instituição.

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