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El Niño põe semeadura do arroz sob alerta em SC

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Pico do fenômeno pode coincidir com implantação da safra em Santa Catarina; excesso de chuva ameaça atrasar operações nas lavouras

 

A chegada da nova safra de arroz em Santa Catarina deverá exigir atenção redobrada ao céu e ao calendário. O El Niño, que tende a favorecer chuvas acima da média na Região Sul, pode atingir seu período de maior influência justamente entre outubro e dezembro, coincidindo com uma fase importante da implantação das lavouras. Para o produtor, o risco não está apenas no volume de água: excesso de umidade, pouca luminosidade e dificuldade para colocar máquinas no campo podem comprometer a sequência das operações.

Palestra de Márcio Sônego no SindiArroz SC: chuvas intensas

Os possíveis impactos foram discutidos nesta quinta-feira (27/08), durante palestra promovida pelo Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC), com o agrônomo e doutor em agrometeorologia da Epagri Márcio Sônego. A preocupação envolve produtores e indústrias diante da proximidade da semeadura.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial e, segundo o sindicato, deverá persistir até maio de 2027. Na Região Sul, sua ocorrência está associada a períodos de excesso de chuva, veranicos, elevada umidade e menor luminosidade.

Para o arroz, a distribuição das chuvas pode ser tão importante quanto seu volume. Precipitações frequentes podem atrasar preparo do solo e semeadura, interferir nos tratamentos da cultura e impedir a entrada de máquinas em áreas encharcadas.

Quando o fenômeno ocorre, a Região Sul costuma receber mais chuvas intensas durante a primavera e isso pode prejudicar a cadeia produtiva do arroz se os produtores e as indústrias não estiverem preparados, afirma Sônego.

A preocupação ganha dimensão econômica em Santa Catarina. Segundo o SindArroz-SC, a rizicultura do Estado responde por 15% do abastecimento nacional. A entidade reúne 27 indústrias cerealistas.

 

Planejar diante da incerteza

O presidente do sindicato, Walmir Rampinelli, afirma que as discussões sobre o El Niño vêm provocando dúvidas entre agricultores e indústrias. O objetivo do encontro, segundo ele, foi ampliar o conhecimento sobre o fenômeno e apresentar alternativas para reduzir possíveis impactos.

A própria natureza do El Niño impede transformar a previsão climática em uma sentença sobre a safra. A intensidade dos efeitos varia conforme o fenômeno e as condições locais. Por isso, a informação meteorológica funciona sobretudo como ferramenta de planejamento.

Para a cadeia do arroz, o desafio será ajustar decisões a janelas de trabalho que podem ficar mais estreitas. Se a primavera confirmar maior frequência de chuvas, aproveitar períodos favoráveis para preparo, semeadura e demais operações poderá ser tão importante quanto o manejo realizado depois que a cultura estiver estabelecida.

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