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Custo da ração pressiona e força mudança na avicultura

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Evento do CBNA coloca nutrição animal no centro da estratégia produtiva em um cenário de margens pressionadas

 

A instabilidade global deixou de ser um fator externo e passou a influenciar diretamente decisões dentro das fábricas de ração. Com custos pressionados e preços voláteis de grãos, a nutrição animal entra em uma nova fase, em que eficiência e flexibilidade deixam de ser diferencial e passam a ser condição de sobrevivência.

Esse movimento será o eixo central da 36ª Reunião Anual do CBNA – Aves, Suínos e Bovinos, que reúne, entre os dias 12 e 14 de maio, em São Paulo, especialistas da agroindústria, academia e indústria de nutrição animal para discutir caminhos diante de um cenário mais instável.

A base do problema é estrutural: milho e farelo de soja seguem como pilares da alimentação animal, concentrando grande parte dos custos. “A base da ração ainda é milho e soja, e o preço desses ingredientes acaba determinando grande parte do custo do frango. O papel do nutricionista é justamente encontrar ajustes na formulação que permitam manter o desempenho das aves e, ao mesmo tempo, melhorar a eficiência econômica”, afirma Bruno Reis de Carvalho, zootecnista e Especialista em Nutrição de Aves da Seara.

Hoje, cerca de 70% do custo de produção do frango vivo está associado à alimentação, o que transforma qualquer variação de preço em impacto direto na margem da cadeia. Diante disso, ganha força a adoção de dietas multi-ingredientes, com inclusão de matérias-primas alternativas como sorgo, trigo e outros cereais.

No entanto, a diversificação exige mais do que decisão técnica — envolve estrutura, escala e segurança de dados. A disponibilidade de insumos, a adaptação das fábricas e a confiabilidade das informações nutricionais passam a ser fatores críticos no processo.

“Quando falamos de dietas multi-ingredientes é importante investir pensando na aplicabilidade prática. Ferramentas nutricionais, como aditivos que melhoram o aproveitamento dos nutrientes, também podem contribuir para aumentar a eficiência da dieta”, afirma Bruno Reis de Carvalho.

O desafio central, segundo o especialista, está no equilíbrio entre custo, desempenho e qualidade final do produto. “O grande desafio é entregar carcaça de qualidade com baixo custo e alta eficiência zootécnica. Muitas vezes melhorar um desses fatores impacta outro, e encontrar esse equilíbrio é o que define a competitividade da produção”, afirma.

Além da discussão técnica, o evento amplia o debate ao conectar diferentes elos da cadeia produtiva, incluindo nomes como o médico-veterinário e nutricionista animal da MBRF Keyosuke Muramatsu, o professor da FMVZ/USP Cesar Augusto Garbossa e o pesquisador da Embrapa Suínos e Aves Marcelo Miele.

No pano de fundo, o que se desenha é uma mudança estrutural: a nutrição animal deixa de ser apenas um componente técnico e passa a ocupar posição estratégica na competitividade da produção. Em um ambiente de custos voláteis, quem dominar a eficiência nutricional tende a liderar.

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