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Crédito rural entra no centro das discussões do GAFFFF

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Mauro Mattoso, representante do BNDES: políticas públicas de financiamento do agro

Painel aborda juros, Plano Safra, segurança jurídica e novos instrumentos para financiar a produção agropecuária

 

O aumento do custo do dinheiro e a necessidade crescente de investimentos nas propriedades rurais colocaram o financiamento do agronegócio entre os principais temas debatidos no Global Agribusiness Festival (GAFFFF), em Sorriso (MT). Durante um painel dedicado ao crédito rural, representantes do setor financeiro, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio (IBDA) e da Datagro discutiram como ampliar o acesso a recursos em um cenário marcado por juros elevados e maior seletividade na concessão de crédito.

A discussão ocorre em um momento em que produtores precisam financiar o custeio da safra, renovar máquinas, investir em armazenagem, irrigação e tecnologia, enquanto convivem com uma taxa Selic de 15% ao ano. Nesse ambiente, os especialistas defenderam maior diversificação das fontes de financiamento e o fortalecimento de instrumentos capazes de complementar o crédito rural tradicional.

Segundo Mauro Mattoso, representante do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o banco continua exercendo papel estratégico para o desenvolvimento da atividade agropecuária. “O Banco possui uma história profundamente conectada ao avanço do agronegócio brasileiro. É fundamental compreender a importância dessa instituição pública e como as suas políticas de financiamento se misturam diretamente com o crescimento e a evolução do setor no país”, afirmou.

Durante o painel, também foram apresentados dados do Plano Safra 2026/27, que prevê R$ 525,1 bilhões para custeio, comercialização e investimentos. Desse total, R$ 72,6 bilhões destinam-se ao Pronamp, enquanto R$ 452,5 bilhões serão direcionados aos demais produtores e cooperativas. Ainda assim, os participantes avaliaram que a demanda por recursos tende a crescer nos próximos anos, exigindo alternativas complementares ao financiamento público.

Renato Buranello, presidente do IBDA

Para Renato Buranello, presidente do Instituto Brasileiro de Direito do Agronegócio (IBDA), o atual sistema exige revisão. “O atual modelo de crédito e financiamento para o agronegócio brasileiro está muito perto de um cenário preocupante de esgotamento. Por isso, revisitamos e estudamos o que tem sido aplicado para maximizar e ampliar esses resultados, defendendo essa política agrícola como um eixo central fundamental dentro do modelo brasileiro”, destacou.

Guilherme Cunha, sócio-fundador da Ceres 

Na avaliação dos debatedores, o mercado de capitais deverá assumir protagonismo crescente no financiamento do setor. Instrumentos como Cédulas de Produto Rural (CPRs), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), fundos de investimento e operações estruturadas foram apontados como alternativas para ampliar a oferta de recursos e reduzir a dependência de uma única fonte de crédito. Como resumiu Guilherme Cunha, sócio-fundador da Ceres Investimentos, “o futuro do financiamento do setor terá que ser capitaneado pelo mercado de capitais e pelo crédito privado”, ao mesmo tempo em que defendeu maior controle das despesas públicas para favorecer a redução estrutural dos juros.

A programação do GAFFFF em Sorriso é distribuída ao longo dos três dias. Nos dias 23, 24 e 25 de julho, o festival promove o Global Agribusiness Forum (GAF), espaço dedicado a debates sobre tendências, desafios e oportunidades do setor. Todos os dias, de 23 a 26, o evento promove espaço para a feira de negócios e área gastronômica, reunindo experiências voltadas à inovação, negócios e cultura agro. O evento também tem atrações musicais de peso sob curadoria da Prefeitura de Sorriso.

 

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