Uma empresa do GRUPO PUBLIQUE

Cepea: soja resiste; milho, carnes e etanol recuam

Compartilhe:

Levantamento do Cepea mostra queda em milho, etanol, frango e boi, enquanto soja foi exceção ao avançar impulsionada pelas exportações

 

A dinâmica das principais commodities do agronegócio brasileiro foi marcada por comportamentos distintos ao longo de junho. Enquanto a soja registrou valorização impulsionada pelo forte ritmo das exportações e pela demanda aquecida, mercados como milho, boi gordo, carne de frango e etanol encerraram o mês sob pressão, refletindo principalmente o aumento da oferta, a postura mais cautelosa dos compradores e o ambiente internacional. O cenário faz parte da análise conjuntural divulgada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP).

A soja foi o principal destaque positivo do período. O aquecimento das exportações brasileiras, favorecido pela demanda internacional e pela valorização do dólar frente ao real, sustentou a alta das cotações internas. O Brasil embarcou um volume recorde de 69,57 milhões de toneladas no primeiro semestre, crescimento de 35% sobre igual intervalo de 2025. Em Paranaguá, o indicador Cepea avançou 1,9% na média mensal, embora o mercado siga atento às perspectivas de uma ampla safra norte-americana.

No milho, o movimento foi inverso. O avanço da colheita da segunda safra elevou a disponibilidade do cereal e pressionou os preços. Compradores permaneceram retraídos diante da expectativa de novas quedas, enquanto estimativas de produção elevadas divulgadas pela Conab e pelo USDA reforçaram esse ambiente. O indicador ESALQ/BM&FBovespa acumulou baixa de 2% em junho.

No mercado pecuário, o boi gordo apresentou pequenas quedas ao longo do mês. Segundo o Cepea, o ritmo mais lento das compras chinesas, aliado à oferta considerada confortável em diversas regiões produtoras, limitou a recuperação das cotações. O indicador Cepea/Esalq encerrou junho com retração acumulada de 3,8%, enquanto o mercado atacadista registrou dificuldades para escoar a carne bovina.

A carne de frango também perdeu força após dois meses consecutivos de valorização. A desaceleração da demanda, especialmente na segunda quinzena, levou vendedores a flexibilizar preços para evitar formação de estoques. Ainda assim, pesquisadores do Cepea avaliam que o pagamento de salários no início de julho pode estimular a retomada do consumo e dar sustentação às cotações.

No segmento de biocombustíveis, o etanol manteve a trajetória de queda observada desde o início da safra 2026/27. O aumento da produção de etanol de cana e de milho ampliou a oferta disponível no mercado, enquanto distribuidoras seguiram comprando apenas pequenos volumes. Apesar das paralisações provocadas pelas chuvas em parte das usinas do Centro-Sul, o abastecimento permaneceu confortável, e o Cepea aponta perspectivas favoráveis para a próxima safra no Nordeste.

Embora cada cadeia produtiva apresente fundamentos específicos, os levantamentos de junho revelam um elemento comum: mercados mais abastecidos e compradores cautelosos passaram a exercer maior influência sobre a formação dos preços. A exceção ficou com a soja, beneficiada pelo desempenho das exportações, confirmando que a demanda internacional continua sendo um fator decisivo para a sustentação das cotações agrícolas brasileiras.

Encontre na AgroRevenda