Pecuária vive melhor momento, mas incertezas pedem decisões precisas
Indústrias de suplementos minerais miram produção de 12,4 milhões de toneladas de carne bovina neste ano e aceleração de produtividade, tecnologia e uso de insumos. Porém, o lucro exige ser construído no sistema de produção
A pecuária brasileira chega ao fim do primeiro semestre com um panorama extremamente favorável à cadeia produtiva. Devemos fechar o ano exportando 37% do total da carne produzida. Abatemos 10,29 milhões de cabeças no primeiro trimestre deste ano, um aumento de 3,3% em relação ao mesmo período do ano passado e o melhor
resultado para os primeiros três meses de qualquer ano da série histórica. Mesmo ficando abaixo do quarto trimestre do ano passado. E o abate já sinaliza aumento ainda maior, de 12%, até o fim do mês passado. O total de fêmeas abatidas alcançou 5,14 milhões de animais, praticamente metade (49,9%) do total de bovinos abatidos no primeiro trimestre de 2026. E o preço do boi gordo girando em torno de R$ 350 a arroba ao longo dos seis meses.
A questão da cota imposta pela China não preocupa tanto porque a demanda planetária por proteínas está firme. Mas os produtores precisam afinar cada vez mais a gestão dos negócios na fazenda, na política de comercialização e nas decisões necessárias para garantir a força financeira dos negócios. “O mercado internacional necessita do Brasil para garantir fornecimento da carne bovina. E está pagando bem para isto. Aqui dentro, o setor vive a melhor relação de compra na comparação com a carne de frango e suína, tem bons valores para os animais e projeta preços sustentados para os próximos quatro meses”, analisou o engenheiro agrônomo Maurício Palma Nogueira, consultor da Athenagro e um dos estudiosos mais conceituados em bovinocultura brasileira e mundial.
Ele foi um dos palestrantes da reunião deste mês da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (ASBRAM), que comemora 30 anos de atuação em 2027 e mergulhou fortemente em temas como vendas,
tecnologia, gestão, nutrição, mercado, reforma tributária, comercialização de suplementos minerais e turbulência econômica e política do mundo atual. Maurício ainda afirmou que o segmento segue ‘formalizando’ o mercado, sustentado pelos dados dos abates estaduais, e investindo no aporte tecnológico da cria, no aumento do peso de carcaça no abate e na dieta com concentrados.
“Vivemos uma fase de aceleração tecnológica. É a maior produtividade registrada, quase 775 quilos por hectare. E o nosso melhor momento. Outubro sinaliza uma arroba a R$ 348, o que é bom. Mas o criador precisa entender que é preciso fazer seguro do preço, garantir a margem para atuar com mais tranquilidade. Existe muita imprevisibilidade. Ele deve treinar formular decisões em um cenário com tantas certezas e ameaças. Precisa de disciplina total. Deixar as análises matemáticas e enxergar melhor o que ocorre no campo. Os fundamentos do segmento estão corretos, bons, mas tudo pode mudar por causa de decisões variadas. A postura do pecuarista deve ser coerente. Na atividade, o lucro deve ser construído no sistema de produção. E garantido pela comercialização”, acrescentou.
Essa crescente profissionalização foi tratada nas diversas apresentações exibidas durante o encontro da ASBRAM. O
aprimoramento dos canais de vendas para aumentar a eficiência no campo. A atenção à cadeia de fornecedores para o acompanhamento perfeito das mudanças decorrentes da reforma tributária. O uso de soluções naturais e aditivos nutricionais sustentáveis em nome de um consumidor cada vez mais ciente da relação nutrição e saúde, e da melhor performance dos animais. E a otimização de todos os dados sobre o que se investe na fazenda, tratando os dados onde eles nascem.
Seguindo o mesmo caminho, o uso de suplementação mereceu espaço de destaque. O painel de comercialização da entidade revelou que a venda das tecnologias minerais atingiu 977 mil toneladas de janeiro a maio, elevação de 1,6% sobre o mesmo período do ano passado. O número de animais suplementados cresceu mais, média de 4,4%, chegando a 67,5 milhões no Corte e Leite. “O avanço da pecuária ocorre com uma importante contribuição das indústrias de nutrição. E esperamos por boas surpresas na segunda metade de 2026. Com nosso setor sempre focado na gestão do negócio e nos times. Há pressão sobre os preços da carne, tem 4% de volume correndo risco a partir de setembro, com a questão das exigências da União Europeia, a questão da cota chinesa, mas produzimos para mais de 150 países e
seguiremos atendendo a demanda mundial. Com um perfil de suplementação mais exigente a cada passo”, examinou Rodrigo Miguel, Presidente da ASBRAM.
“O futuro econômico do Brasil e exterior, e as consequências para o setor da proteína animal, vai depender de como vai evoluir o acordo de paz entre Estados Unidos e Irã. Ainda está difícil imaginar. O novo presidente do Banco Central dos EUA falou duro e pode aumentar a taxa de juros, o que vai alimentar a inflação. O sensato é pensar um cenário por algum tempo com preços altos generalizados e insegurança nos investimentos. Mas o Brasil já era um dos países que menos sofriam com guerra e petróleo. A questão é que podemos voltar a enfrentar os nossos problemas internos. Inflação, juros altos, turbulências com a eleição. De qualquer modo, a nossa economia vai crescer em 2026 e a carne bovina seguirá em ótimo momento”, resumiu Felippe Cauê Serigati, Pesquisador do FGV Agro e responsável pelo painel de comercialização da Associação.
A ASBRAM reúne 70% das indústrias produtoras de suplementos para a pecuária em todo o território nacional e comemora trinta anos de atuação no ano que vem, quando vai realizar o 15º Simpósio Nacional da Indústria de Suplementos Minerais, nos dias 23 e 24 de setembro, em Campinas (SP). Sempre incentivando o uso de suplementos para nutrição animal, demonstrando a importância de sua utilização correta, visando a melhoria dos níveis da produção agropecuária e a qualidade de seus produtos, de forma ética e profissional.




