Dirigentes destacam geração de renda, inovação e intercooperação como pilares do crescimento do setor em Santa Catarina
Santa Catarina consolidou sua posição de referência em cooperativismo no país. Com 240 cooperativas distribuídas em oito ramos de atividade, o sistema movimentou mais de R$ 105 bilhões no último ano, reúne cerca de 5,1 milhões de cooperados — o equivalente a 61% da população catarinense — e responde pela geração de mais de 110 mil empregos diretos. Os números foram destacados durante o 1º Encontro de Integração Imprensa e Cooperativismo, realizado em Chapecó, e evidenciam a crescente influência desse modelo de negócios na economia estadual.
Além do peso econômico, lideranças do setor defenderam que o cooperativismo tem ampliado sua contribuição para áreas como inovação, educação, saúde, crédito, desenvolvimento regional e sucessão no campo. O evento reuniu representantes de diferentes ramos cooperativistas para discutir desafios, compartilhar experiências e aproximar o sistema dos profissionais de comunicação.

Segundo Ricardo Miotto Ternus, superintendente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC), os indicadores refletem a força do modelo cooperativista no Estado. “Santa Catarina é o estado mais cooperativista do Brasil, e isso é comprovado pelos números”, afirmou. Ternus destacou ainda que o Sescoop investiu mais de R$ 90 milhões em capacitação em 2025 e que as ações das cooperativas beneficiaram aproximadamente 3,5 milhões de catarinenses no último ano.
As apresentações mostraram como diferentes segmentos vêm ampliando investimentos. Na educação, a Coeducars destacou iniciativas voltadas à formação profissional, inteligência artificial, educação financeira e protagonismo feminino. Na saúde, Unimed Chapecó e Uniodonto apresentaram avanços em serviços de alta complexidade, cirurgia robótica, oncologia e transplante de medula óssea.
O cooperativismo de crédito reforçou o papel das cooperativas na inclusão financeira e no desenvolvimento regional. Sicredi, Sicoob MaxiCrédito, Cresol Aliança, Ailos Evolua e Uniprime destacaram ações de expansão, governança, educação financeira e fortalecimento das comunidades. Entre os dados apresentados, a Sicredi informou que seus mais de 135 mil associados economizaram, em média, R$ 4 mil no último ano utilizando os serviços da cooperativa.
No agronegócio, Aurora Coop e Cooperalfa ressaltaram que a competitividade do setor depende da intercooperação, da assistência técnica e da valorização do produtor rural. A Aurora reúne atualmente 14 cooperativas singulares, mais de 87 mil produtores rurais e cerca de 52 mil colaboradores, mantendo programas permanentes de capacitação em gestão, sucessão familiar e sustentabilidade. Já a Cooperalfa destacou a organização produtiva como fator essencial para manter as famílias no campo.
Para Carlos Roberto Klaus, presidente da ACIC, cooperativismo e imprensa compartilham objetivos semelhantes no desenvolvimento regional. Já Jaqueline Schmitt, coordenadora do Núcleo de Cooperativas da ACIC, afirmou que ampliar o diálogo com os veículos de comunicação contribui para que a sociedade compreenda melhor a relevância econômica e social do sistema cooperativista. “Quanto maior o conhecimento sobre o cooperativismo, maior será a compreensão da sociedade sobre a contribuição desse modelo para o desenvolvimento econômico, a geração de oportunidades e a qualidade de vida nas comunidades”, destacou.
Os números apresentados em Chapecó reforçam que o cooperativismo catarinense deixou de ser apenas um modelo de organização empresarial para assumir papel estratégico na economia do Estado, reunindo produção, crédito, saúde, educação e desenvolvimento regional em uma estrutura cada vez mais integrada.




