Setor de proteína animal leva estratégia sanitária e comercial à SIAL China em meio à disputa global por abastecimento alimentar
Em meio ao avanço da concorrência internacional e às mudanças na dinâmica de consumo da Ásia, o setor brasileiro de proteína animal intensifica sua ofensiva comercial na China — principal destino estratégico das exportações de carnes e ovos do país. Entre os dias 18 e 20 de maio, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) participa da SIAL China, em Xangai, uma das maiores feiras internacionais de alimentos e bebidas do continente asiático. A ação ocorre em parceria com a ApexBrasil e reúne agroindústrias brasileiras interessadas em ampliar presença comercial e fortalecer relacionamento com importadores chineses.
Mais do que exposição de produtos, a estratégia envolve uma disputa por posicionamento global. O objetivo do setor é consolidar a imagem do Brasil como fornecedor estável de proteína animal em um ambiente internacional marcado por pressões sanitárias, tensões geopolíticas e preocupação crescente com segurança alimentar.
Por meio das marcas setoriais Brazilian Chicken, Brazilian Pork, Brazilian Egg, Brazilian Breeders e Brazilian Duck, empresas como Alibem, Aurora, Bello, Somave e Vibra apresentarão seus portfólios ao mercado asiático.
“A presença na SIAL China, seguida do road show em Pequim, reforça a estratégia do setor de estreitar relações com o mercado chinês, ampliando oportunidades comerciais e consolidando o Brasil como parceiro confiável para o abastecimento de proteína animal”, afirma Ricardo Santin, presidente da ABPA.
A agenda da entidade vai além da feira. No dia 21 de maio, a associação promove em Pequim o Road Show Internacional “No borders for food: Parcerias para segurança alimentar”, reunindo autoridades, importadores e representantes do setor produtivo.
O encontro terá como eixo central a defesa de regras sanitárias previsíveis e alinhadas aos princípios da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA/WOAH) — tema considerado estratégico para a manutenção e expansão do comércio agropecuário global.
O movimento brasileiro ocorre em um momento de reorganização das cadeias mundiais de abastecimento. A China mantém posição central para as exportações brasileiras de proteína animal, mas também amplia exigências ligadas à rastreabilidade, sustentabilidade e segurança sanitária.
Nesse cenário, a reputação internacional passa a ter peso semelhante ao da competitividade de preço. A capacidade de demonstrar regularidade produtiva, status sanitário e estabilidade logística tornou-se elemento decisivo para a manutenção de mercados estratégicos.
A ofensiva comercial liderada pela ABPA reflete justamente essa mudança de lógica. O setor brasileiro busca não apenas vender produtos, mas consolidar confiança institucional em um dos mercados mais disputados do planeta. Com exportações superiores a US$ 12 bilhões anuais representadas pela entidade, a proteína animal brasileira tenta transformar presença comercial em influência estratégica de longo prazo — especialmente em um cenário de crescente disputa global por alimentos.




