Evento em SP antecipa tendências com foco em inovação, greening e mercado, em um momento de pressão sobre custos e oferta ajustada
Sob pressão sanitária, climática e econômica, a citricultura brasileira entra em uma fase de decisões estruturais — e a 51ª Expocitros surge como termômetro dessa virada. Mais do que um evento técnico, o encontro consolida um ambiente onde tecnologia, mercado e estratégia passam a definir a competitividade do setor nos próximos anos.
Realizada entre 26 e 29 de maio no Centro de Citricultura do Instituto Agronômico (IAC), em Cordeirópolis (SP), a feira amplia seu papel como plataforma de antecipação de tendências. A edição de 2026 reforça a presença de inteligência artificial, automação, sensoriamento e rastreabilidade, sinalizando uma transição mais acelerada para sistemas produtivos baseados em dados.
A agenda técnica acompanha essa transformação. Temas como sustentabilidade, carbono, energia renovável e exigências internacionais ganham protagonismo, refletindo um cenário em que o acesso a mercados passa, cada vez mais, por critérios ambientais e de rastreabilidade.
“A edição de 2026 deve aprofundar debates sobre greening, inovação tecnológica, bioinsumos, sustentabilidade e gestão, refletindo exatamente o momento vivido pelo setor. Ao mesclar ciência, mercado e estratégia, a Expocitros se firma como um ponto de convergência para decisões que vão definir a competitividade da citricultura brasileira na próxima década”, afirma Dirceu Mattos Jr., diretor do Centro de Citricultura.
A programação técnica evidencia os principais pontos de tensão da cadeia. Do manejo fitossanitário — com desafios como greening, leprose e resistência a fungicidas — até temas estruturais, como fertilizantes, mudanças climáticas e eficiência produtiva, o evento organiza um diagnóstico amplo das fragilidades e oportunidades do setor.
No pano de fundo, o mercado reforça a urgência dessas discussões. A safra 2025/26 foi encerrada em 293 milhões de caixas, em um cenário de oferta ajustada e elevada volatilidade de preços. Ao mesmo tempo, o Brasil mantém sua liderança global, respondendo por até 75% do suco de laranja exportado.
Esse desequilíbrio entre protagonismo e vulnerabilidade acelera uma reconfiguração produtiva. A tendência é de maior adoção de tecnologias, intensificação do uso de dados e avanço de práticas sustentáveis — não apenas como diferencial, mas como requisito para permanência no mercado.
Dados-chave do setor
- 293 milhões de caixas — safra 2025/26
• 70% a 75% — participação do Brasil no mercado global de suco
• 12 mil visitantes — público da edição anterior
• 90 empresas — expositores em 2025
• 4 dias — duração do evento
• Foco central: tecnologia, sanidade e mercado
O que move a nova citricultura
Pressões
• Avanço do greening (HLB)
• Instabilidade climática
• Alta de custos produtivos
Respostas do setor
• Digitalização e uso de dados
• Bioinsumos e novas tecnologias
• Intensificação da rastreabilidade
Direção estratégica
• Produção mais eficiente
• Adequação a mercados internacionais
• Sustentabilidade como exigência, não diferencial




