Em menos de uma década, propriedade evolui de estrutura simples para uma operação com capacidade para 800 vacas
O crescimento da produção leiteira brasileira costuma ser medido por indicadores de produtividade, tecnologia e escala. Mas, por trás dos números que impulsionam o setor, existem histórias que ajudam a explicar como planejamento, gestão e cooperação podem transformar pequenas iniciativas em negócios de grande porte. A trajetória do cooperado Frederik de Jager, da Castrolanda, cooperativa sediada em Castro (PR), é um exemplo desse movimento.
Em menos de uma década, a propriedade da família passou de cerca de 300 litros de leite produzidos diariamente, em 2017, para mais de 18 mil litros por dia em 2026. A evolução foi construída a partir de investimentos contínuos, definição de metas e uma estratégia de crescimento gradual, apoiada pela assistência técnica e pelos serviços oferecidos pela cooperativa.
O início da atividade ocorreu de forma bastante modesta. Com apenas 12 vacas e aproveitando estruturas originalmente destinadas à pecuária de corte, Frederik ingressou no segmento motivado pelo interesse do filho Felipe, que ainda era adolescente. “O começo foi desafiador. Não tinha estrutura nenhuma, aproveitei o que tinha do gado de corte para iniciar no leite. Eu nunca imaginei que iria para o leite, mas o sonho dele acabou virando o meu também”, relembra Frederik de Jager, cooperado da Castrolanda.
A ligação da família com a atividade também remonta à própria história da cooperativa. Neto de imigrantes holandeses que chegaram ao Brasil em 1951, o produtor vê na pecuária leiteira uma continuidade do trabalho iniciado pelos pioneiros que ajudaram a construir a Castrolanda.
“A Castrolanda vive o leite. Desde o início, todas as famílias vieram com gado leiteiro. Era a forma de sobrevivência. Nós estamos usufruindo hoje do que os pioneiros começaram. Foi um trabalho quase inacreditável, de muita coragem e dedicação”, afirma Frederik. Um dos pilares do crescimento foi a antecipação dos investimentos em infraestrutura. Em vez de ampliar as instalações apenas quando a demanda surgia, a família optou por preparar previamente os espaços destinados aos animais.
“Eu nunca esperei as vacas chegarem para depois construir. Sempre preparei o espaço antes, para não superlotar e garantir conforto dos animais”, explica. Hoje, o Grupo de Jager possui capacidade para aproximadamente 800 vacas, com cerca de 440 animais em lactação. Paralelamente, a família mantém atividades em grãos e suinocultura, estratégia que contribui para diversificar receitas e reduzir riscos de mercado.
Outro diferencial foi a decisão de concentrar os esforços da família na gestão do negócio, confiando à cooperativa o suporte técnico e nutricional. “Colocamos como regra que a assistência técnica e a nutrição seriam com a Castrolanda, porque o nosso objetivo era focar no crescimento.”
Para o produtor, o cooperativismo continua sendo um fator decisivo para a competitividade da atividade leiteira. “Saber que o leite vai ser coletado e comercializado tira um peso enorme. Você pode focar na sua produção, que já exige muito. Um pequeno produtor bem estruturado pode ser tão competitivo quanto um grande.”
Com uma nova meta já estabelecida — alcançar 30 mil litros de leite por dia nos próximos anos — a família mantém a mesma filosofia que marcou sua trajetória até aqui: crescimento contínuo, sucessão familiar estruturada e foco permanente na eficiência produtiva.




