Brasil chega a 1.538 produtores registrados e amplia presença da produção da bebida em 844 municípios
A cadeia produtiva da cachaça vive um dos momentos mais expressivos de sua história recente. Dados do Anuário da Cachaça 2026, elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) em parceria com o Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC), mostram que o país alcançou 1.538 estabelecimentos produtores registrados em 2025, crescimento de 21,5% em relação ao ano anterior — o maior avanço da série histórica iniciada em 2018.
O crescimento não ocorreu apenas no número de produtores. O levantamento registra 8.379 produtos cadastrados, alta de 16%, além de 11.131 marcas, aumento de 16,8% sobre 2024. A atividade também ampliou sua presença territorial e passou a alcançar 844 municípios brasileiros, reforçando o papel da cachaça como importante vetor de desenvolvimento econômico em regiões produtoras, especialmente no interior do País.
Minas Gerais segue como principal polo nacional, com 564 estabelecimentos registrados, seguida por São Paulo (230) e Rio Grande do Sul (106). Embora o Sudeste concentre quase dois terços da produção formal, todas as regiões registraram crescimento em 2025, com destaque para a Região Sul, que apresentou expansão de 51,4% no número de produtores registrados.
O desempenho também foi positivo no mercado internacional. As exportações somaram 7,96 milhões de litros, crescimento de 19,4% em volume, movimentando US$ 17,07 milhões e alcançando 76 países, igualando o maior número de destinos da série histórica. Os Estados Unidos permaneceram como principal mercado em valor, enquanto o Paraguai liderou os embarques em volume.
Apesar dos indicadores positivos, o setor considera que o potencial da bebida ainda está longe de ser plenamente explorado. Segundo o presidente do IBRAC, Vicente Bastos, desafios como a elevada carga tributária, a falta de isonomia fiscal entre bebidas alcoólicas e a necessidade de ampliar ações de promoção internacional continuam limitando a competitividade da cachaça brasileira no exterior.
Curiosamente, o crescimento da estrutura produtiva não foi acompanhado pelo volume declarado de produção. O anuário aponta que a fabricação registrada caiu para 234,48 milhões de litros, redução de 15,77% frente a 2024. Esse contraste indica que a cadeia continua investindo em formalização, diversificação e qualificação, mesmo diante de um cenário de menor produção, reforçando uma tendência de valorização da qualidade e da agregação de valor como estratégia para ampliar sua competitividade nos mercados nacional e internacional.







