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Exportações aliviam cenário de baixa na suinocultura

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Consumo interno enfraquecido pressiona cotações, enquanto vendas externas acumulam crescimento de dois dígitos

 

O mercado brasileiro de suínos atravessa um dos momentos mais desafiadores dos últimos anos. Pressionados por uma demanda doméstica enfraquecida, produtores convivem com sucessivas quedas de preços, redução do poder de compra e margens mais apertadas. Ao mesmo tempo, a suinocultura encontra nas exportações um importante fator de sustentação, reforçando a relevância crescente do mercado internacional para o equilíbrio da atividade.

Levantamento do Cepea mostra que maio marcou o terceiro mês consecutivo de desvalorização do suíno vivo e da carne suína. Na praça SP-5, referência para o estado de São Paulo, o animal vivo comercializado para a indústria registrou média de R$ 5,40 por quilo, o menor valor real desde julho de 2012. No acumulado de 2026 até o final de maio, a retração das cotações já alcançava 40,7%.

A demanda chegou a apresentar melhora pontual em função do Dia das Mães, tradicional período de aumento do consumo de proteínas. O movimento, porém, não se sustentou ao longo do mês. No atacado da Grande São Paulo, a carcaça especial suína recuou 3,9% frente a abril, encerrando maio cotada, em média, a R$ 8,66 por quilo.

Se o mercado interno trouxe dificuldades, o desempenho das exportações ajudou a compensar parte desse cenário. Mesmo com recuo mensal de 7,5% em relação a abril, os embarques brasileiros de carne suína atingiram 127,9 mil toneladas em maio, o maior volume já registrado para o mês desde o início da série histórica da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em 1997. Na comparação com maio de 2025, o crescimento foi de 8,8%.

No acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o Brasil exportou 654,3 mil toneladas, avanço de 13,3% frente ao mesmo período do ano passado. O resultado evidencia os esforços da cadeia em ampliar mercados e reduzir a dependência do consumo doméstico. As Filipinas seguiram como principal destino da proteína brasileira, enquanto o México chamou atenção pelo aumento de 95,1% nas compras em relação a abril.

Outro indicador que preocupa o produtor é a relação de troca com os principais insumos da atividade. Em Campinas (SP), um quilo de suíno vivo permitiu a aquisição média de apenas 4,94 quilos de milho e 3,15 quilos de farelo de soja em maio. Embora os insumos também tenham registrado desvalorização, a queda dos preços do animal foi mais intensa, reduzindo a capacidade de compra do suinocultor. O indicador frente ao milho atingiu o menor nível desde fevereiro de 2023.

Por outro lado, a carne suína ganhou competitividade frente às proteínas concorrentes. O diferencial de preços entre a carcaça bovina e a suína alcançou R$ 16,50 por quilo, o maior da série histórica do Cepea iniciada em 2004. Já a diferença para o frango caiu ao menor patamar desde abril de 2022, reforçando o potencial da proteína suína para disputar espaço no consumo doméstico caso a demanda volte a reagir nos próximos meses.

 

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