Robustez da safra e demanda por derivados sustentam avanço da atividade industrial no país
A indústria brasileira de soja deve ampliar novamente seu ritmo de processamento em 2026. Atualização divulgada pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) projeta esmagamento de 63 milhões de toneladas do grão, volume superior ao estimado anteriormente e que reforça a tendência de maior agregação de valor dentro da cadeia produtiva nacional.
A revisão ocorre em um contexto de safra robusta e demanda aquecida por derivados. Segundo o novo balanço, a produção brasileira de soja deverá alcançar 180,25 milhões de toneladas, criando condições para expansão simultânea do abastecimento interno e das exportações.
O crescimento do processamento reflete diretamente na oferta de produtos industrializados. A produção de farelo de soja está estimada em 48,6 milhões de toneladas, enquanto a fabricação de óleo deve atingir 12,65 milhões de toneladas. O movimento fortalece a participação da indústria nacional em segmentos estratégicos ligados à alimentação animal, ao consumo humano e à produção de biocombustíveis.
No mercado externo, a soja em grão continuará liderando os embarques brasileiros, com previsão de exportação de 114,1 milhões de toneladas. Os derivados também apresentam perspectiva positiva. As vendas externas de farelo foram revisadas para 24,95 milhões de toneladas, enquanto as exportações de óleo de soja devem alcançar 1,65 milhão de toneladas.
Somadas, as exportações do complexo soja têm potencial para gerar aproximadamente US$ 60 bilhões em receitas ao longo de 2026, reforçando a relevância do setor para a balança comercial brasileira.
Os números mais recentes já sinalizam esse movimento de crescimento. Em abril de 2026, o processamento de soja totalizou 5,09 milhões de toneladas, resultado 0,2% superior ao registrado em março e 6,7% acima do observado em abril do ano passado, considerando os ajustes metodológicos da entidade.
No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, a indústria processou 18,124 milhões de toneladas, avanço de 10,1% em comparação ao mesmo período de 2025. Para a Abiove, os indicadores demonstram a capacidade da cadeia industrial de absorver o aumento da oferta de matéria-prima, ampliar a produção de derivados e manter a competitividade brasileira em um dos mercados mais estratégicos do agronegócio mundial.




