‘Empresário brasileiro precisa ser ator político internacional’, diz ex-ministra

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Ex-ministra do Meio Ambiente, Izabel Teixeira, folheia estudo durante Jornada Aya Cop 30
Ex-ministra do Meio Ambiente, Izabel Teixeira, folheia estudo durante Jornada Aya Cop 30

Encontro reuniu representantes da Nestlé, Unilever, Ambev e Itaú para discutir estratégias e metas para o setor de alimentos e usos do solo.

 

A AYA Earth Partners, o primeiro e maior ecossistema dedicado a acelerar a economia regenerativa e de baixo carbono do Brasil, deu início à Jornada AYA COP 30 com encontro sobre o tema “Alimentos e Uso do Solo”. Realizado em 25 de fevereiro, o evento teve a presença da ex-ministra Izabella Teixeira, representantes da Nestlé, Unilever, Dengo, Ambev e Itaú, além de contar com a participação remota do secretário de Governança Fundiária, Desenvolvimento Territorial e Socioambiental no Ministério da Agricultura Moisés Savian, que trouxe reflexões sobre os caminhos viáveis e soluções inovadoras para fortalecer a segurança alimentar no Brasil, tornando-o referência no fornecimento de alimentos para o mundo.

Em uma fala contundente, a presidente do Comitê Global de Sustentabilidade da Ambipar e ex-ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, pontuou os principais desafios para o setor privado na agenda verde. “O empresário brasileiro tem que aprender a ser um ator político internacional. A voz dele é importante para a agenda de novos negócios. O Brasil pode se colocar como provedor de soluções para o mundo, mas, se não atuar rapidamente, poderá perder suas vantagens comparativas e competitivas muito em breve.”

Para a ex-ministra, o setor precisa ser pragmático para não perder oportunidades, como é o caso dos data centers em fazendas, que ajudariam a mitigar os riscos climáticos. “O Brasil é o único país que pode fazer data centers verdes. A agricultura brasileira é altamente tecnológica, mas não é percebida assim.”

A cofundadora da AYA Earth Partners Patricia Ellen apontou para as cadeias produtivas como foco de trabalho neste ano de COP30, com o aumento da necessidade de alternativas para segurança alimentar, energética e florestal. “As empresas precisam agregar valor aos seus produtos – é por isso que devemos olhar para as green skills, que têm a possibilidade de gerar 10 milhões de oportunidades de renda para a população.”

Escala e agricultura regenerativa – Outro tópico que reverberou nos painéis foi a capacidade de o setor privado em trazer escala para sistemas alimentares que reduzam emissões de gases do efeito estufa, incorporando o risco climático na agenda.  “Nosso desejo é transformar a agricultura, para que deixe de ser um problema e se torne uma solução, não só para produzir alimentos, mas para reduzir as emissões de carbono. Agricultura familiar representa mais de 10 milhões de pessoas – e as mudanças climáticas vão impactar diretamente suas vidas. Já temos inúmeras experiências para produzir sistemas resilientes e regenerativos, mas precisamos dar mais escala”, declarou o secretário de Governança Fundiária, Desenvolvimento Territorial e Socioambiental no Ministério da Agricultura, Moisés Savian. “A autossuficiência na produção do cacau, aumentar a possibilidade de crédito agrícola para iniciativas verdes aproximando-as dos sistemas bancários e prestar assistência técnica ao agricultor são alguns dos desafios.”

Esse também é o caso de grandes indústrias, que estão focadas em incentivos para a agricultura regenerativa. “Temos um papel fundamental nos sistemas alimentares por conta da escala do nosso negócio. A principal estratégia é estimular e fomentar a agricultura regenerativa. A gente gera dados para influenciar o produtor sobre como essa migração é boa para o planeta, mas também para o bolso dele,” comentou Barbara Sapunar, diretora executiva de Business Transformation e ESG da Nestlé. “Nossa meta principal hoje é atingir uma cadeia net-zero. Temos 10 projetos implementados com 100 mil hectares em agricultura regenerativa,” contou Juliana Abreu, líder em Sustentabilidade, ESG e Impacto da Unilever. O diretor de Impacto Social da América do Sul da Ambev Carlos Pignatari reiterou os desafios em relação a escala e eficiência.

O cofundador da Dengo Estevan Sartorel trouxe a responsabilidade de remunerar bem pequenos e médios produtores. “Nascemos com a meta de criar maneiras de remunerar esses produtores, formando uma cadeia mais justa. Desenvolvemos um modelo para estimular a produção de qualidade do cacau no Brasil. O produtor pode ser remunerado em mais de 200%, de acordo com o nível do cacau produzido,” revelou.

Usos do solo e SAF – Para além do uso do solo para segurança alimentar, também é possível olhar para as potencialidades da energia limpa. “O setor aviário é um dos mais poluentes no que se diz respeito a emissões de carbono. O SAF é uma solução estrutural de curto prazo, mas precisamos de escala, custo competitivo e pegada de carbono reduzida. O Brasil tem todas as condições para ser líder da biomassa de macaúba, que tem um potencial enorme de produzir óleo 10 vezes mais que a soja,” comentou Marcelo Cordaro, COO da Acelen.

Na visão da gerente sênior de Sistema Alimentares Sustentáveis da WRI Brasil, Virginia Antonioli, o grande desafio está na celeridade dos processos e na atuação direta com quem produz. “A gente tem um potencial enorme, cometemos muitos erros e temos dificuldades em valorizar os pequenos produtores, mas podemos superar essas questões rápido, tratando esses impasses diretamente nos territórios.”

Os painéis contaram com a moderação do líder de ESG & Sustentabilidade da EY, Ricardo Assumpção, e do head de ESG Agro Itaú BBA, João Adrien. O encerramento ficou a cargo da Líder de Meio Ambiente da Embrapa Paula Parker.

Sobre a AYA Earth Partners – A AYA Earth Partners é o primeiro e maior ecossistema dedicado a acelerar a economia regenerativa e de baixo carbono do Brasil, conectando empresas de todos os portes e segmentos, organizações do terceiro setor e especialistas de diversas áreas para compartilhar conteúdos e serviços e impulsionar a transição do país para uma economia de baixo carbono. Liderada pela ex-Secretária do governo do Estado de São Paulo, Patricia Ellen, e pelo empresário Alexandre Allard, a AYA promove o encontro dos melhores pensadores e profissionais de cada setor, com foco no desenvolvimento e implementação de soluções integradas e inovadoras para as empresas e com o objetivo de acelerar a capacidade de CEOs e outras lideranças empresariais de enfrentar os enormes desafios das mudanças climáticas, transformando custos em investimentos e retornos para as organizações.

Com atividades focadas em cinco importantes transições:  alimentos e uso dos solos, estrutura financeira verde, economia circular e materiais, energia limpa e renovável e regeneração de florestas e bioeconomia, a AYA pretende contribuir para transformar o Brasil no líder mundial de uma nova economia e a primeira grande nação carbono neutro até 2030 e carbono negativo até 2050. A AYA conta com mais de 140 parceiros comprometidos com a jornada de baixo carbono, incluindo iFood, Deloitte Brasil, Ambipar, Ambev, BV, Accenture, Preta Terra, FAS (Fundação Amazônia Sustentável), Mattos Filho, Pacto Global e SOS Mata Atlântica.

A expectativa é que mais de mil profissionais desse ecossistema circulem pelo AYA Hub semanalmente, promovendo encontros e trocas orgânicas de experiências e informações. A AYA tem participado ativamente de eventos como o Glocal Amazônia, Diálogos da Amazônia, Climate Week NYC, COP 28 e o primeiro Fórum Brasileiro de Finanças Sustentáveis, que integra a programação do G20 no Brasil, entre outros. Saiba mais em: Link.

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