O diferencial de preços entre a soja no Brasil e a dos Estados Unidos atingiu na segunda-feira mais de 20 dólares por tonelada, o maior nível em nove meses, segundo dados da Refinitiv, indicando como o produto brasileiro ficou menos competitivo após a moeda norte-americana se enfraquecer em relação ao real. Também colabora com o maior preço da soja brasileira o fato de os agricultores do Brasil, maior produtor e exportador global, já terem comercializado grande parte da safra da oleaginosa de 2019/20.
“O ‘driver’ é câmbio, o que tem maior peso… Mas já estamos no final de soja não fixada”, explicou o especialista em Commodities da Refinitiv Anderson Nacaxe, ao comentar a perda de competitividade do produto nacional e o menor volume disponível para venda. Produtores do Brasil já fecharam contratos para venda de cerca de 90% da soja colhida nos primeiros meses do ano, aproveitando fortemente quando a moeda norte-americana estava mais próxima dos 6 reais do que dos 5 reais, como acontece atualmente.
O dólar, que chegou a bater máxima de 5,9012 reais em 13 de maio, fechou no patamar de 5,23 reais nesta terça-feira. Assim, a comercialização de soja teve ritmo recorde este ano, contando também com uma forte demanda da China e da Europa, notou Nacaxe, o que resultou em embarques recordes do Brasil.




