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Preços do suíno recuam, mas exportações batem recorde

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Demanda interna fraca pressiona cotações em março, enquanto embarques atingem maior volume e receita da história

 

O mercado brasileiro de suínos apresentou um comportamento dual em março: enquanto os preços domésticos permaneceram pressionados pela baixa demanda, especialmente durante a Quaresma, o setor exportador alcançou resultados históricos, reforçando a importância do mercado externo para a sustentação da atividade.

No mercado interno, a liquidez reduzida foi o principal fator de enfraquecimento das cotações. O suíno vivo negociado em São Paulo (SP-5) registrou média de R$ 6,94/kg, leve alta de 0,4% frente a fevereiro, mas ainda abaixo do patamar de R$ 7/kg. No acumulado do primeiro trimestre, a média real foi de R$ 7,34/kg, recuo expressivo de 10,9% em relação ao mesmo período de 2025.

A pressão também se estendeu ao atacado. A carcaça especial suína foi negociada a R$ 10,06/kg em março na Grande São Paulo, queda de 2,9% no mês e menor valor real desde junho de 2023, refletindo o enfraquecimento da demanda final.

Apesar desse cenário interno, o desempenho das exportações foi um dos principais destaques do período. O Brasil embarcou 152,2 mil toneladas de carne suína em março, volume recorde da série histórica da Secex, com crescimento de 25,9% frente a fevereiro e de 32,7% na comparação anual.

A receita também atingiu nível inédito, somando US$ 359,6 milhões — avanço de 27,3% no mês e de 30,4% em relação a março do ano passado. Entre os destinos, as Filipinas lideraram com cerca de 49 mil toneladas, seguidas por Japão e China, ambos com forte crescimento nas compras.

No campo, a rentabilidade do produtor enfrentou novos desafios. A alta de 4,5% no preço do milho, que atingiu média de R$ 70,90 por saca em Campinas (SP), reduziu o poder de compra do suinocultor frente ao insumo — queda de 3,9% na relação de troca. Por outro lado, a desvalorização do farelo de soja trouxe alívio parcial, elevando em 2,4% o poder de compra em relação a esse derivado.

No mercado de proteínas, a carne suína ganhou competitividade frente à bovina, cujo preço avançou em março, ampliando o diferencial para R$ 14,26/kg — maior nível em quatro anos. Em relação ao frango, no entanto, a competitividade recuou, refletindo a queda mais acentuada nos preços da ave.

O cenário reforça a dependência crescente do setor em relação ao mercado externo, ao mesmo tempo em que evidencia desafios internos ligados ao consumo e ao custo de produção.

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