Iniciativa conecta cooperados, ciência e mercado e gera renda com créditos de carbono em lavouras regenerativas
A cafeicultura brasileira dá um passo inédito ao integrar sustentabilidade e geração de receita em um mesmo modelo produtivo. A Cooxupé viabilizou, pela primeira vez no país, a comercialização de créditos de carbono gerados a partir da arborização de lavouras de café, posicionando o setor em um novo patamar de inovação e conexão com mercados globais.
A iniciativa faz parte do Projeto de Cafeicultura Regenerativa, que combina práticas produtivas com soluções ambientais. Na fase piloto, 12 cooperados participaram da implantação em uma área de 43,27 hectares, com a introdução de sistemas agroflorestais e corredores de árvores. O resultado foi o sequestro de 649,94 toneladas de carbono e a distribuição de mais de R$ 104 mil aos produtores envolvidos.
O modelo adotado foi o de insetting, no qual a própria cadeia produtiva investe na redução de emissões em sua origem. Nesse formato, um cliente da cooperativa adquiriu os créditos gerados, e os recursos retornaram diretamente aos cooperados, criando uma nova fonte de renda associada à sustentabilidade.
Para Natalia Fernandes Carr, gerente ESG da Cooxupé, o projeto demonstra a viabilidade de integrar diferentes dimensões da produção. “O projeto demonstra que é possível integrar produtividade, qualidade e responsabilidade ambiental em um mesmo sistema, com benefícios diretos ao cooperado”, afirma.
A base técnica da iniciativa envolve parcerias com instituições de pesquisa e empresas especializadas. O uso de espécies vegetais com potencial ecológico, aliado a tecnologias como imagens de satélite, drones e georreferenciamento, garante precisão na mensuração do carbono sequestrado e no monitoramento das áreas.
Além dos ganhos ambientais, o sistema regenerativo contribui para maior equilíbrio ecológico, aumento da biodiversidade e maior resiliência das lavouras frente às mudanças climáticas. A diversidade de regiões participantes — Sul de Minas, Cerrado Mineiro e Matas de Minas — reforça a adaptabilidade do modelo.
O projeto entra agora em uma nova fase, com a ampliação da base de cooperados e a entrada de certificação internacional, o que permitirá também a comercialização no modelo de offsetting. “Trata-se do primeiro projeto no Brasil a gerar unidades de carbono a partir da arborização de lavouras de café […] um avanço que conecta campo, ciência e mercado”, conclui Natalia.
Com potencial de expansão, a iniciativa aponta para um futuro em que a cafeicultura não apenas produz alimento, mas também captura valor ambiental, fortalecendo sua competitividade no cenário global.
Números do projeto piloto
- 12 cooperados participantes
- 43,27 hectares
- 649,94 t de carbono sequestrado
- R$ 104,6 mil distribuídos
O que muda na cafeicultura
- Nova fonte de renda ao produtor
- Integração entre produção e sustentabilidade
- Maior resiliência climática
- Conexão com mercados internacionais




