Programação reúne especialistas para discutir como transformar eficiência produtiva em resultado financeiro
A busca por maior produtividade continua importante para a pecuária brasileira, mas deixou de ser suficiente para garantir competitividade. Essa foi uma das principais mensagens transmitidas aos produtores durante o segundo dia da Feicorte 2026, em Presidente Prudente (SP), onde especialistas defenderam que o futuro da atividade dependerá cada vez mais da capacidade de transformar desempenho zootécnico em resultado econômico.
Com o tema “O Boi Brasileiro: Um Mundo de Oportunidades”, a programação concentrou discussões sobre mercado, gestão, eficiência alimentar, sustentabilidade, genética e tecnologia. Em comum, os debates reforçaram que a rentabilidade passou a ocupar posição central nas decisões dentro da porteira.
Segundo Diede Loureiro, curador de conteúdo do eixo Pecuária da Feicorte, o momento exige que o produtor compreenda não apenas os aspectos produtivos, mas também os fatores econômicos que influenciam o negócio. “Vivemos um período de muita instabilidade, com guerras, mudanças no sistema de produção e efeitos climáticos que afetam diretamente a atividade. Por isso, iniciamos a programação tratando de mercado, para ajudar o produtor a entender o cenário, reduzir o pânico e ampliar a informação”, explicou.
Na avaliação de Loureiro, o setor atravessa uma mudança de mentalidade. “Não adianta produzir mais, porém sem eficiência econômica e alimentar. O mercado está pedindo produtividade com resultado. Se o produtor fizer o que o mercado quer, o mercado compra dele”, afirmou.
O tema apareceu em diferentes momentos da programação. A gestão de riscos ganhou destaque na palestra do consultor da StoneX, Gustavo Machado, que abordou o uso de ferramentas de hedge para reduzir a exposição às oscilações do mercado pecuário. Já o pecuarista e empresário Luiz Roberto Saalfeld discutiu as transformações no comportamento do consumidor e os reflexos dessas mudanças sobre os sistemas de produção.
A sustentabilidade também foi tratada sob uma ótica econômica. Durante sua apresentação, o especialista em nutrição animal Carlos Alberto Tolentino defendeu que a pecuária de baixo carbono não deve ser vista apenas como uma fonte adicional de custos, mas como uma oportunidade para aumentar produtividade e competitividade.
No campo da produção, especialistas destacaram a importância da gestão baseada em indicadores. O engenheiro agrônomo Fernando Nemi Costa comparou o confinamento a uma atividade industrial, na qual cada etapa interfere diretamente no resultado financeiro. Na mesma linha, Mauro Nonino afirmou que a pecuária dos próximos anos será construída por propriedades capazes de integrar tecnologia, conectividade e análise de dados aos sistemas produtivos.
A valorização do bezerro também entrou na pauta. O especialista em reprodução animal Luciano Penteado apresentou estratégias que relacionam planejamento reprodutivo, qualidade genética e desempenho econômico, reforçando que a rentabilidade começa antes mesmo do nascimento dos animais.
O olhar para os mercados internacionais completou a agenda. O médico-veterinário canadense Luis Burciaga apresentou tendências observadas nos Estados Unidos, México e Canadá, além de oportunidades emergentes em países como China e Mongólia. A mensagem final foi clara: em um ambiente cada vez mais competitivo, produzir bem continua sendo fundamental, mas produzir com eficiência econômica tornou-se indispensável para a sustentabilidade dos negócios pecuários.




