Sul permanece mais úmido, enquanto calor e tempo seco avançam por outras regiões e colocam a soja 2026/27 no radar
Excesso de umidade para uma cultura, tempo favorável à colheita para outra e a necessidade de acompanhar o retorno das chuvas antes da próxima semeadura. O contraste climático previsto para os próximos dias deve produzir efeitos distintos nas principais regiões agrícolas brasileiras, com o Sul permanecendo mais úmido enquanto calor e tempo seco predominam em grande parte do País.
Dados de sensoriamento remoto da EarthDaily apontam volumes expressivos de chuva no Sul e menores acumulados nas demais regiões. Os modelos europeu ECMWF e americano GFS também indicam temperaturas acima da média em grande parte do território, com anomalias entre 3°C e 7°C. Segundo a empresa, o padrão apresenta sinais consistentes da influência do El Niño.
Entre 1º e 15 de agosto, a umidade do solo ficou acima da média em boa parte das regiões produtoras de trigo do Sul. A condição garante disponibilidade de água, mas chuvas frequentes podem aumentar a pressão de doenças, reduzir a radiação solar e, mais adiante, afetar a qualidade dos grãos e as operações de colheita.
No Rio Grande do Sul, o excesso de precipitação é apontado como risco adicional. A referência é 2023, também sob influência do El Niño, quando altos acumulados entre setembro e novembro prejudicaram o desenvolvimento das lavouras.
Cana encontra janela favorável
Na região canavieira do Centro-Sul, a situação é diferente. A previsão de pouca chuva favorece a colheita, enquanto temperaturas elevadas podem contribuir para maturação e concentração de açúcares. O GFS projeta máximas próximas de 40°C na última semana de agosto. Se o calor e a estiagem persistirem, porém, a perda de umidade do solo pode aumentar o estresse hídrico e limitar a rebrota das áreas recém-colhidas.
Para a soja 2026/27, o foco estará em setembro. Partes de Mato Grosso e Goiás já apresentavam umidade abaixo da média no início de agosto. A situação ainda é compatível com a estação seca, mas o atraso no retorno das chuvas poderá interferir nas condições para o começo da semeadura.
Assim, mais do que a temperatura ou a chuva isoladamente, será a duração desse padrão e o momento de sua mudança que determinarão os impactos sobre as próximas etapas do calendário agrícola.





