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Educação e cooperação, o exemplo que vem de Minas

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Experiência iniciada em São Roque de Minas expandiu-se para mais de 100 escolas e ajuda a formar novas gerações ligadas ao cooperativismo

 

Fazer com que jovens estudem fora e depois encontrem razões para voltar é um desafio conhecido por pequenos municípios brasileiros. Em São Roque de Minas (MG), uma experiência iniciada há mais de três décadas tentou enfrentar essa questão associando cooperativismo, educação e desenvolvimento local. Hoje, 51% dos alunos formados pela Cooperativa Educacional Sarom (CES) que posteriormente concluíram a graduação retornaram à cidade.

A história começou em 1991, com a criação do Sicoob Sarom, então Saromcredi. Além de ampliar o acesso aos serviços financeiros, a cooperativa de crédito apoiou a produção artesanal do queijo Canastra. Com o fortalecimento da economia, surgiu outra preocupação: formar pessoas qualificadas e criar condições para que os jovens permanecessem ou retornassem ao município.

Em 1999 foi criada, com apoio do Sicoob, a Cooperativa Educacional Sarom. Inicialmente voltada à educação infantil, a escola passou a atender todas as etapas da educação básica até o ensino médio e chegou a 200 alunos matriculados em 2026. Ex-alunos hoje levam os próprios filhos para a instituição, trabalham nela e participam até do Conselho de Administração.

A experiência está relacionada ao quinto dos sete princípios do cooperativismo, dedicado à educação, formação e informação. Para ampliar o alcance da iniciativa além de São Roque de Minas, o Sicoob Sarom criou, em 2013, o Movimento Coop Educação.

O projeto leva conteúdos de filosofia cooperativista, empreendedorismo e educação financeira a mais de 100 escolas públicas e privadas de sete municípios. Segundo o Sistema OCB, mais de 2 mil professores e 50 mil estudantes já foram alcançados.

O efeito também aparece na formação da equipe da própria cooperativa. Na sede do Sicoob Sarom, 40% dos colaboradores vieram da cooperativa educacional ou do programa de educação, segundo Ighor Oliveira, gerente de Educação e Desenvolvimento da instituição.

Crescimento exige preservar identidade

Para Pablo Albino, professor e coordenador da graduação em Cooperativismo da Universidade Federal de Viçosa (UFV), a educação ganha importância à medida que aumenta o número de cooperados e funcionários das organizações.

Sem formação e informação, argumenta, existe o risco de pessoas participarem das cooperativas sem compreender as características do modelo ao qual estão vinculadas. As estratégias podem envolver cooperativas escolares, capacitação de cooperados e colaboradores e preparação de novas lideranças.

A experiência mineira mostra, assim, uma dimensão menos imediata da educação cooperativista: os resultados aparecem no longo prazo, quando estudantes se tornam profissionais, retornam à comunidade e passam a integrar as próprias organizações que ajudaram em sua formação.

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