Uma empresa do GRUPO PUBLIQUE

Exportação de carne amplia desafio da rastreabilidade

Compartilhe:

Com exportações de carne em alta e novas exigências internacionais, integração de dados passa a ser desafio para a cadeia pecuária

 

A carne bovina brasileira alcança volumes maiores no exterior ao mesmo tempo em que compradores passam a exigir informações cada vez mais detalhadas e verificáveis sobre aquilo que chega ao mercado. No primeiro semestre de 2026, o País exportou 1,705 milhão de toneladas, alta de 15,5% sobre igual período de 2025. A receita avançou ainda mais: cresceu 36,2% e chegou a US$ 9,85 bilhões.

O desempenho aumenta a importância de uma questão que deve ganhar espaço na rotina da pecuária brasileira nos próximos anos: identificar os animais e conseguir conectar informações sobre sua trajetória ao longo da cadeia.

A demanda é impulsionada também por mudanças regulatórias. Segundo a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, requisitos europeus relacionados à comprovação do uso de antimicrobianos entram em aplicação em setembro. Em dezembro, a European Union Deforestation Regulation (EUDR) passa a estabelecer requisitos relacionados à rastreabilidade e comprovação de origem para produtos associados ao desmatamento.

Internamente, 2026 é uma etapa da implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB). O cronograma prevê neste ano a adequação dos sistemas estaduais e integração das bases de dados.

A identificação individual deve avançar gradualmente a partir de 2027. A obrigatoriedade de identificação antes da primeira movimentação do animal está prevista para 2032.

O desafio, entretanto, não termina com a identificação do bovino. Para que os registros se transformem efetivamente em rastreabilidade, será necessário conectar informações produzidas em diferentes etapas. Isso envolve interoperabilidade entre sistemas, padronização e qualidade dos dados, integração das bases e definição das responsabilidades de cada participante da cadeia.

Informação pode chegar ao valor da arroba

Para Ana Doralina, presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, a dificuldade de demonstrar origem, trajetória e conformidade pode provocar restrições comerciais, risco reputacional e perda de oportunidades de diferenciação.

A entidade avalia que eventuais perdas de mercados ou redução de valor podem repercutir por toda a cadeia, alcançando inclusive a arroba recebida pelo produtor que não participa diretamente das exportações.

A inclusão dos pecuaristas é outro ponto destacado. A implementação, segundo a Mesa, precisa vir acompanhada de orientação, capacitação e condições para que os produtores compreendam como as informações serão geradas e compartilhadas. Com a expansão das vendas externas e a implantação do PNIB, a discussão passa, portanto, da capacidade de identificar cada animal para a construção de uma cadeia capaz de conectar e comprovar sua história.

 

plugins premium WordPress

Encontre na AgroRevenda