A precariedade da infraestrutura continua sendo um dos principais entraves ao crescimento da Região Norte, segundo o estudo Panorama da Infraestrutura – Região Norte, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O levantamento mostra que 74% dos empresários industriais classificam a infraestrutura da região como regular, ruim ou péssima, índice muito superior à média nacional, de 45%.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou que, apesar de sua importância estratégica para o desenvolvimento sustentável do Brasil — por sua biodiversidade, abundância de recursos naturais e posição geográfica —, o Norte enfrenta um déficit estrutural crônico. “As deficiências em rodovias, a baixa integração energética, os entraves no transporte hidroviário e as limitações no acesso a serviços essenciais elevam os custos logísticos e desestimulam investimentos”, afirmou.
O estudo aponta que rodovias incompletas ou deterioradas, escassa malha ferroviária e hidrovias pouco exploradas impedem a integração entre os polos produtivos e reduzem a competitividade regional. A situação é agravada pela falta de dragagem, sinalização e interligação modal nos principais rios. Além da logística, o saneamento básico representa outro gargalo crítico: apenas 61% da população tem acesso à rede de abastecimento de água e 23% à rede de esgoto, o menor índice do país. A perda média de água distribuída chega a 50%, muito acima da média nacional (40%).
Projetos estratégicos e investimentos prioritários – Alguns avanços recentes indicam caminhos para superar esses entraves. Um exemplo é a conexão de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN), concretizada em setembro. A CNI também elenca projetos essenciais para destravar a infraestrutura, como o derrocamento do Pedral do Lourenço para ampliar a navegabilidade da Hidrovia Araguaia-Tocantins, a exploração de petróleo e gás na Margem Equatorial, a pavimentação da BR-319 e a construção da Ferrogrão (EF-170).
Segundo Alban, tais obras podem integrar a região aos mercados nacional e internacional, gerar emprego e renda e fortalecer a segurança energética do país. O Novo PAC, lançado em 2023, prevê R$ 294 bilhões em investimentos na Região Norte, parte de um total de R$ 1,7 trilhão em todo o Brasil. Para o diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, políticas públicas devem priorizar não apenas os corredores logísticos, mas também a expansão dos serviços básicos. “A superação desses obstáculos é condição fundamental para garantir um ambiente de negócios mais favorável e impulsionar o desenvolvimento sustentável e inclusivo do Norte”, destacou.


