Modelo brasileiro reduz dependência de resina virgem e coloca o país como referência global em economia circular no agronegócio
A instabilidade no mercado global de petróleo começa a provocar efeitos diretos na indústria de insumos agrícolas, acelerando a busca por alternativas mais eficientes e menos dependentes de matérias-primas fósseis. Nesse contexto, a reciclagem de embalagens de defensivos agrícolas emerge como solução estratégica, combinando viabilidade econômica, segurança técnica e ganhos ambientais em larga escala.
Desenvolvida no Brasil e já consolidada em operação industrial, a tecnologia permite substituir a resina plástica virgem — tradicionalmente derivada do petróleo — por material reciclado na fabricação de novas embalagens. O modelo, implementado pela Campo Limpo Plásticos, funciona há quase duas décadas e começa a ganhar atenção internacional diante das incertezas geopolíticas e da volatilidade dos preços de energia.
Segundo o presidente da empresa, Marcelo Okamura, o diferencial está na capacidade de fechar o ciclo produtivo sem perda de qualidade. “O que mais chama a atenção no exterior é que conseguimos fechar o ciclo: recolher, reciclar e voltar a produzir embalagens com o mesmo nível de exigência técnica”, afirma.
Na prática, o sistema brasileiro já opera com índices que o colocam entre os mais avançados do mundo. Atualmente, 100% das embalagens de defensivos recolhidas têm destinação ambientalmente correta, com a totalidade das embalagens plásticas rígidas sendo recicladas. O desempenho supera mercados relevantes, como o Canadá, onde a taxa varia entre 76% e 81%, e os Estados Unidos, onde menos de 10% dos resíduos agrícolas são reciclados.
Além do impacto ambiental, o modelo traz ganhos econômicos relevantes ao reduzir a dependência de insumos ligados ao petróleo. A Campo Limpo tem capacidade de produzir até 17 milhões de embalagens recicladas por ano e projeta investir R$ 140 milhões nos próximos três anos para ampliar sua operação.
A base desse sistema é o programa Campo Limpo, que organiza a logística reversa das embalagens desde a devolução pelos produtores até a reciclagem e transformação em novos produtos. O modelo articula indústria, distribuição e agricultores em um ciclo contínuo de reaproveitamento, consolidando uma aplicação prática de economia circular no campo.
Diante de um cenário global marcado por pressão sobre custos e exigências ambientais, a experiência brasileira passa a ser vista não apenas como solução local, mas como referência internacional — reposicionando o país como exportador de tecnologia e inovação em sustentabilidade aplicada ao agronegócio.
Idealizada pelo inpEV (Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias), que é responsável pela gestão do programa de logística reversa, o Sistema Campo Limpo representa as indústrias fabricantes de defensivos agrícolas na destinação das embalagens utilizadas nas culturas de todo o país. A companhia conta com um complexo industrial que abriga duas subsidiárias localizadas na cidade de Taubaté (SP) e uma filial em Ribeirão Preto (SP), inaugurada em 2018.
Números do modelo brasileiro
- 100% das embalagens com destinação correta
- 17 milhões de embalagens/ano
- R$ 140 milhões em investimentos previstos
- Referência mundial em reciclagem agrícola
Por que a reciclagem ganha força
- Alta do petróleo
- Redução de custos
- Pressão por sustentabilidade
- Segurança técnica comprovada




