Peixe BR defende cautela e acompanha possíveis impactos da medida sobre o comércio internacional
A Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) manifestou hoje preocupação com a proposta apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros destinados ao mercado norte-americano. A iniciativa foi anunciada após a conclusão de uma investigação comercial iniciada em julho de 2025 e ainda deverá passar por consulta pública antes de uma eventual decisão definitiva.
Embora os produtos que poderão ser efetivamente atingidos pela medida ainda estejam sendo discutidos pelas autoridades norte-americanas, a entidade avalia que a simples possibilidade de novas barreiras comerciais já gera insegurança para empresas exportadoras e para setores que vêm investindo na ampliação de mercados externos.
Nos últimos anos, a piscicultura brasileira registrou crescimento consistente em produção, profissionalização e inserção internacional. O avanço da atividade tem sido acompanhado por investimentos em tecnologia, sanidade, processamento e rastreabilidade, fatores considerados essenciais para atender às exigências dos principais mercados consumidores do mundo.
Para a Peixe BR, qualquer medida que resulte em aumento de custos ou em restrições ao fluxo comercial deve ser analisada com cautela, sobretudo em um momento em que o Brasil amplia sua participação global na produção de alimentos. A entidade destaca que mudanças tarifárias podem afetar a competitividade dos produtos brasileiros e criar obstáculos adicionais para cadeias produtivas que buscam consolidar sua presença internacional.
Em nota oficial, a associação informou que acompanha atentamente os desdobramentos da proposta e seus possíveis reflexos sobre a atividade aquícola nacional. “A possibilidade de novas barreiras comerciais gera insegurança para cadeias produtivas exportadoras e pode comprometer a competitividade dos produtos brasileiros em um dos principais mercados consumidores do mundo”, afirma a entidade.
A associação também ressalta que continuará avaliando os impactos potenciais da medida tanto para a piscicultura quanto para outros segmentos do agronegócio brasileiro. “A Peixe BR seguirá acompanhando os desdobramentos da proposta e avaliando seus potenciais impactos para a piscicultura brasileira e para o agronegócio nacional”, informa a associação.
A expectativa agora está voltada para as próximas etapas do processo conduzido pelo governo norte-americano. Enquanto o debate permanece aberto, produtores e exportadores acompanham com atenção as negociações, uma vez que eventuais alterações nas condições de acesso ao mercado dos Estados Unidos podem influenciar estratégias comerciais, investimentos e perspectivas de crescimento para diferentes cadeias do agronegócio brasileiro.
São Paulo tributa tilápia do Vietnã
Em São Paulo, a Associação dos Produtores de Peixes em Águas da União (Peixe SP) distribuiu nota afirmando ter recebido “com muita satisfação” a notícia do decreto que tributa a entrada do filé de tilápia do Vietnã no Estado. A assinatura foi anunciada pelo deputado Itamar Borges com o governador Tarcísio de Freitas e os secretários Geraldo Melo (Agricultura) e Samuel Kinoshita (Fazenda).
“A medida é um passo fundamental para corrigir uma grave distorção de mercado que vinha asfixiando a piscicultura nacional e, especialmente, a paulista”, destaca Marilsa Patrício, secretária executiva da Peixe SP.
Ela entende que a tributação equilibra o jogo. “Não estamos falando de protecionismo, mas de justiça concorrencial. O produtor brasileiro cumpre regras rigorosas de sustentabilidade e leis trabalhistas e enfrenta uma carga tributária robusta, enquanto o produto importado tem custos artificialmente baixos, sendo uma concorrência desleal”, enfatiza a dirigente da Peixe SP.
Para a produção paulista e brasileira, segundo a entidade, o impacto será imediato em três frentes:
Segurança para investir – o produtor volta a ter previsibilidade para expandir seus tanques e investir em tecnologia.
Manutenção de empregos – a cadeia dos peixes de cultivo gera milhares de empregos diretos no interior do Estado de São Paulo. Proteger o setor é proteger essas famílias.
Fortalecimento da economia local – o valor gerado pela piscicultura passa a circular e a gerar impostos no Brasil e em São Paulo, e não fora do país.
“São Paulo dá um exemplo de sensibilidade econômica e apoio a quem trabalha e produz”, acrescenta Marilsa.




