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“Microrrevolução verde” reposiciona agro brasileiro

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Pesquisadora da Embrapa Soja Mariangela Hungria: metade do nitrogênio não é aproveitada pelas plantas. Foto: Roberto Custódio

Uso de microrganismos reduz custos, aumenta produtividade e coloca o Brasil na liderança da agricultura sustentável

 

A agricultura brasileira atravessa uma transformação silenciosa, mas profunda, que redefine a forma de produzir alimentos com mais eficiência e menor impacto ambiental. Durante a ExpoLondrina 2026, a pesquisadora da Embrapa Soja Mariângela Hungria apresentou o conceito de “microrrevolução verde”, destacando o papel dos microrganismos como protagonistas dessa mudança.

A base dessa evolução está na compreensão do solo como um sistema vivo. Em vez de depender exclusivamente de fertilizantes químicos — muitos deles importados e de baixa eficiência —, o modelo passa a incorporar bioinsumos capazes de melhorar a absorção de nutrientes e estimular o crescimento das plantas.

Segundo a pesquisadora, parte significativa dos fertilizantes aplicados hoje é desperdiçada. Em alguns casos, até metade do nitrogênio não é aproveitada pelas plantas, enquanto o fósforo apresenta eficiência média de apenas 15%. “Além do desperdício econômico, essas perdas impactam diretamente o meio ambiente”, afirma Mariângela Hungria.

Nesse cenário, tecnologias como a fixação biológica de nitrogênio e a coinoculação ganham relevância. Atualmente, cerca de 35% da área de soja no Brasil já utiliza coinoculação, prática que pode gerar ganhos médios de até 8% na produtividade, com resultados ainda maiores em outras culturas.

Os benefícios também aparecem na redução de custos. No milho, o uso de microrganismos pode diminuir em até 25% a necessidade de fertilizantes nitrogenados, com economia estimada em US$ 175 milhões e redução de 1,87 milhão de toneladas de CO₂ equivalente.

Além dos bioinsumos, o seminário também destacou práticas de manejo conservacionista, como o terraceamento. Estudos apresentados pelo IDR-Paraná indicam que a técnica reduz perdas de solo e nutrientes, melhora a retenção de água e contribui para maior estabilidade produtiva, especialmente em eventos climáticos extremos.

Apesar dos avanços, a pesquisadora alertou para desafios na adoção das tecnologias. “Não basta aplicar o produto, é preciso adotar um pacote tecnológico e seguir recomendações técnicas”, destacou. Ao integrar ciência, manejo e sustentabilidade, o Brasil consolida sua posição de liderança em uma agricultura que busca produzir mais com menos impacto — um movimento que redefine o futuro do setor no cenário global.

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