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Mercado reage, mas pecuária leiteira ainda sofre pressão

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Oferta mais restrita impulsiona matéria-prima, enquanto custos de produção seguem em alta e pressionam os produtores

 

Depois de meses marcados por margens apertadas e forte pressão financeira no campo, o mercado brasileiro de leite voltou a registrar uma reação mais intensa nos preços pagos ao produtor. A combinação entre redução gradual da oferta, estoques mais ajustados e custos elevados de produção começou a reposicionar as negociações no setor, embora o cenário ainda esteja distante da recuperação observada em anos anteriores.

Levantamento divulgado pelo Cepea mostra que o preço do leite cru pago ao produtor avançou 10,5% em março frente a fevereiro, alcançando média de R$ 2,3924 por litro. Foi o terceiro mês consecutivo de valorização da matéria-prima, acumulando alta de 17,6% no primeiro trimestre de 2026.

Apesar da recuperação recente, os números ainda mostram distância relevante em relação ao ano passado. Em termos reais, a média de março segue 18,7% abaixo da registrada no mesmo período de 2025. Já no acumulado do trimestre, o valor médio permanece 23,6% inferior ao observado no primeiro trimestre do ano anterior.

Segundo agentes consultados pelo Cepea, a valorização reflete principalmente a desaceleração da produção no campo desde o início do ano, movimento que reduziu a disponibilidade de matéria-prima para a indústria e sustentou reajustes ao longo da cadeia láctea.

No atacado paulista, os derivados lácteos também registraram novas altas em abril. Pesquisa realizada pelo Cepea, com apoio da OCB, aponta que o mercado permaneceu aquecido diante dos estoques mais ajustados e do aumento nos custos da matéria-prima.

Ao mesmo tempo, o setor ainda convive com pressão crescente sobre os custos de produção. O Custo Operacional Efetivo (COE) avançou 1,10% em abril na média nacional, acumulando quatro meses consecutivos de alta e elevação de 3,24% no ano.

Entre os principais fatores de pressão aparecem despesas maiores com ração, suplementos minerais, diesel, sanidade animal e operações mecanizadas, componentes que seguem limitando a recuperação das margens do produtor leiteiro.

No comércio exterior, o mercado também apresentou desaceleração. Dados da Secex analisados pelo Cepea mostram queda tanto nas importações quanto nas exportações de lácteos em abril. Os embarques recuaram 28,67%, enquanto as importações caíram 10% frente ao mês anterior.

O movimento reforça um cenário de ajuste gradual na cadeia leiteira brasileira. Embora os preços tenham voltado a subir com mais intensidade, o setor ainda busca equilíbrio entre oferta, demanda e rentabilidade em um ambiente marcado por custos elevados, volatilidade de mercado e forte pressão sobre eficiência produtiva.

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