Avanço das operações no Brasil, aves, suínos e Austrália compensa pressão da carne bovina nos Estados Unidos
A diversificação entre proteínas e mercados levou a JBS a uma receita líquida recorde de US$ 23,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, crescimento de 14% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado mostra desempenhos positivos em boa parte das operações da companhia, que ajudaram a compensar as dificuldades persistentes no segmento de carne bovina nos Estados Unidos.
Entre abril e junho, o EBITDA ajustado chegou a US$ 1,257 bilhão, enquanto a maioria das unidades apresentou melhora sequencial de rentabilidade. Para o CEO Global da JBS, Gilberto Tomazoni, o resultado reflete a composição do portfólio entre diferentes geografias, proteínas e marcas. “Apesar das diferentes condições de mercado ao redor do mundo, nossas equipes operacionais mantiveram o foco em execução, eficiência e alocação disciplinada de capital”, afirmou.
No Brasil, o desempenho foi particularmente forte. A JBS Brasil alcançou receita líquida recorde de US$ 4,6 bilhões, crescimento de 28%, e EBITDA ajustado de US$ 273 milhões, o maior já registrado pela operação em um segundo trimestre. O resultado ocorreu mesmo diante de uma elevação de 12% no preço médio do gado e foi impulsionado principalmente pelas exportações, com maiores preços e volumes.
A Seara também ampliou os negócios. A receita chegou a US$ 2,5 bilhões, alta de 18,2%, com volume superior a 1 milhão de toneladas no trimestre. O EBITDA ajustado foi de US$ 315 milhões, com margem de 12,3%. Segundo a companhia, maior utilização da capacidade produtiva, automação, eficiência industrial e ampliação dos produtos de maior valor agregado contribuíram para o desempenho.
Nos Estados Unidos, as operações apresentaram comportamentos distintos. A Pilgrim’s Pride registrou receita de US$ 4,6 bilhões e EBITDA ajustado de US$ 360 milhões, beneficiada pela demanda firme por frango nos Estados Unidos, Europa e México. Na divisão de suínos, o EBITDA avançou 38%, chegando a US$ 184 milhões, apesar de uma demanda doméstica mais moderada.
A maior pressão continuou concentrada na JBS Beef North America. A unidade teve receita recorde de US$ 7,8 bilhões, 14,2% superior à de um ano antes, mas registrou EBITDA ajustado negativo de US$ 100 milhões. A oferta restrita de bovinos elevou os custos e pressionou as margens, já que o aumento do preço do gado superou a valorização da carne. Ainda assim, a perda foi inferior aos US$ 264 milhões registrados no segundo trimestre de 2025.
Na Austrália, a receita líquida cresceu 30%, para US$ 2,6 bilhões, sustentada por maiores preços e volumes. A diversificação entre carne bovina, suínos, alimentos preparados e salmão contribuiu para EBITDA ajustado de US$ 218 milhões e margem de 8,5%. No consolidado, o fluxo de caixa livre ficou positivo em US$ 130 milhões, melhora de US$ 185 milhões frente ao segundo trimestre de 2025. A alavancagem líquida encerrou o período em 3,10 vezes, com prazo médio da dívida superior a 15 anos e custo médio de 5,7% ao ano.
Para os próximos períodos, a companhia pretende manter o foco em eficiência operacional, marcas e geração de caixa. Segundo Tomazoni, a estratégia é preservar flexibilidade para atravessar diferentes ciclos de mercado — característica que, neste trimestre, mostrou-se determinante para que os resultados positivos de aves, suínos, Brasil e operações internacionais compensassem a pressão sobre a carne bovina norte-americana.





