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Mais de 3 milhões de pessoas já investem no agro

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Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3, na abertura do congresso da ABAG. Foto: Gerardo Lazzari

CPRs, LCAs, CRAs e Fiagros ampliam conexão entre investidores e a crescente necessidade de financiamento do agronegócio

 

Mais de 3 milhões de pessoas físicas já investem no agronegócio por meio de instrumentos registrados ou negociados na B3, em um movimento que aproxima cada vez mais o mercado de capitais das necessidades de financiamento do campo. Com uma atividade que movimentou R$ 3,2 trilhões em 2025, o setor demanda recursos crescentes para financiar produção, expansão, tecnologia e ganhos de produtividade. O tema está entre os destaques do 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio, realizado nesta segunda-feira (10/08) pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), em parceria com a B3.

A expansão do capital privado não substitui mecanismos tradicionais de crédito, como o Plano Safra, mas amplia as fontes disponíveis para produtores e empresas. Segundo o vice-presidente de Produtos e Clientes da B3, Luiz Masagão, o tamanho alcançado pelo agronegócio exige alternativas “cada vez mais diversificadas, recorrentes e adequadas aos diferentes projetos e momentos da cadeia”.

Os números dão dimensão desse avanço. Em junho, o estoque de Cédulas de Produto Rural (CPRs) registrado na infraestrutura da B3 superava R$ 474 bilhões, contra mais de R$ 418 bilhões um ano antes. As Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) somavam R$ 563 bilhões; os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), R$ 174 bilhões; e os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCAs) ultrapassavam R$ 30 bilhões.

Os Fiagros representam outra frente dessa aproximação. Cerca de 57 fundos estão disponíveis na bolsa e reúnem mais de 600 mil investidores pessoas físicas. Esses veículos direcionam recursos para diferentes ativos e atividades das cadeias agroindustriais, criando uma ponte entre a poupança dos investidores e a necessidade de capital do setor produtivo.

O movimento ocorre em um período de forte atividade do mercado de capitais brasileiro. No primeiro semestre de 2026, as ofertas chegaram a R$ 361,8 bilhões, maior volume já registrado para o período. A renda fixa respondeu por R$ 288 bilhões, enquanto as emissões de Fiagros somaram R$ 8,3 bilhões.

A aproximação entre campo e mercado financeiro também passa pela gestão de riscos. Contratos futuros e opções permitem que produtores, cooperativas e empresas reduzam a exposição às oscilações de preços. No futuro de boi gordo, o volume médio diário negociado aumentou de aproximadamente R$ 650 milhões em 2025 para R$ 935 milhões em 2026. No milho, o número de contratos em aberto cresceu 55%.

Outra mudança pode ampliar o acesso de empresas menores. Com o Regime FÁCIL, criado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), companhias com receita bruta anual de até R$ 500 milhões passaram a contar com regras simplificadas para acessar instrumentos de dívida e participação acionária. Desde março, cerca de R$ 150 milhões foram captados em debêntures e notas comerciais dentro do novo regime.

O avanço desses mecanismos mostra uma transformação importante no financiamento do agronegócio. Ao lado das linhas tradicionais de crédito, investidores e mercado de capitais passam a ocupar espaço crescente na sustentação de investimentos em produção, infraestrutura, inovação e expansão — ao mesmo tempo em que oferecem ao setor novos instrumentos para administrar riscos e planejar seus negócios.

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