Café e soja avançam com força, enquanto etanol e açúcar recuam e proteínas animais encontram resistência no consumo interno
Clima, demanda internacional e disponibilidade de produto provocaram movimentos bastante distintos entre as principais commodities do agronegócio brasileiro em julho. Enquanto café, soja e milho registraram valorização, açúcar e etanol ficaram pressionados pela oferta e pela baixa liquidez. Nas proteínas animais, o frango apresentou estabilidade, enquanto o boi gordo terminou o mês em alta, embora sua média ainda tenha ficado abaixo da registrada em junho. O cenário aparece nos levantamentos mensais do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP).
O café apresentou o movimento mais expressivo entre os produtos analisados. Mesmo em período de avanço da colheita, chuvas nas regiões produtoras de arábica trouxeram preocupações sobre o ritmo dos trabalhos e a qualidade dos grãos. O Indicador CEPEA/ESALQ do arábica teve média de R$ 1.724,47 por saca, avanço de 16,7% sobre junho. No robusta, a alta foi de 10,4%, para R$ 1.092,62/saca, influenciada pelo menor volume colhido nesta temporada e pela valorização do arábica.
A soja também ganhou força, sustentada pela demanda global, pelas incertezas climáticas no Hemisfério Norte e pela menor disposição dos produtores brasileiros em negociar grandes volumes. Em Paranaguá, o indicador avançou 7,8%, para média de R$ 142,11/saca, maior nível real de 2026. No Paraná, a valorização foi de 7,5%. As preocupações relacionadas ao possível fortalecimento do El Niño também levaram compradores a antecipar aquisições.
No milho, a colheita da segunda safra avançou, mas a disponibilidade para negociação permaneceu restrita. Produtores acompanharam a valorização internacional e mantiveram postura cautelosa nas vendas. O Indicador ESALQ/BM&FBovespa subiu 2,6% no acumulado de julho, encerrando o mês a R$ 65,25/saca. A expectativa de aumento da oferta à medida que a colheita avança, porém, limitou movimentos mais intensos.
Na direção oposta, o etanol continuou pressionado pelo elevado volume disponível em São Paulo e pelas remessas provenientes de outros estados. Estoques elevados e necessidade de caixa de algumas usinas aumentaram a disposição para venda. O hidratado teve média de R$ 2,1356/litro, queda de 4,51%, enquanto o anidro recuou 3,71%, para R$ 2,4364/litro.
O açúcar cristal também apresentou baixa liquidez no mercado paulista. A média do Indicador CEPEA/ESALQ ficou em R$ 92,15 por saca de 50 kg, queda de 0,35% sobre junho e de 22,23% na comparação anual. A retomada mais intensa da colheita no Centro-Sul ampliou a disponibilidade, enquanto o mercado internacional permaneceu volátil. Ainda assim, as exportações remuneraram em média 4,28% mais que as vendas domésticas em julho.
Entre as proteínas, a carne de frango apresentou pouca variação. O equilíbrio entre uma oferta limitada pela ligeira redução no alojamento e uma demanda mais fraca na segunda metade do mês manteve os preços praticamente estáveis. Na Grande São Paulo, o frango resfriado teve média de R$ 6,85/kg, recuo de apenas 0,2%, enquanto o frango vivo em São Paulo caiu 0,6%.
Já o boi gordo apresentou uma leitura dupla. O indicador encerrou julho a R$ 346,55/@, valorização de 3,02% no acumulado do mês, mas a média mensal, de R$ 335,50, ficou 3,48% abaixo da de junho. A oferta relativamente ajustada de animais sustentou as cotações, enquanto o consumo doméstico enfraquecido restringiu altas mais consistentes, favorecendo a substituição da carne bovina por proteínas mais baratas.
O balanço de julho mostra, portanto, que não houve uma direção única para o mercado agropecuário. Commodities mais expostas à demanda externa e às incertezas climáticas, como café e soja, encontraram espaço para valorização. Em outros mercados, maior disponibilidade, estoques elevados ou consumo doméstico mais cauteloso limitaram os preços. Para os próximos meses, clima, evolução das colheitas, demanda internacional e ritmo das exportações continuam entre as variáveis decisivas para a formação das cotações.





