Evento do CICB revela que mais de 90% dos curtumes do país já possuem certificações ambientais e discutem uso crescente de inteligência artificial
A combinação entre sustentabilidade e inteligência artificial passou a ocupar o centro das discussões da indústria brasileira do couro. O tema ganhou destaque no 13º Fórum CICB de Sustentabilidade, realizado durante a feira Fimec, em Novo Hamburgo (RS), reunindo especialistas para discutir como tecnologia, inovação e boas práticas ambientais estão redefinindo o futuro dos curtumes.
O evento foi promovido pelo Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) dentro do projeto Brazilian Leather, desenvolvido em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).
Logo na abertura, o assessor de sustentabilidade do CICB, Ricardo Andrade, destacou que o setor avançou rapidamente na agenda ambiental. Segundo levantamento da entidade, mais de 90% dos curtumes brasileiros já possuem certificações ambientais, ante cerca de 60% registrados em 2018.
“São certificações que não tratam apenas do produto, mas do processo, buscando a sustentabilidade na origem da produção”, explicou.
IA começa a mudar modo de trabalhar
Outro ponto central do fórum foi o avanço da inteligência artificial nas atividades industriais e de gestão. O especialista em inovação Rafael Martins comparou a IA a uma espécie de “lâmpada mágica”, destacando que mais de um bilhão de pessoas no mundo já utilizam ferramentas de inteligência artificial diariamente.
Segundo ele, uma das habilidades mais importantes do mercado de trabalho passa a ser a capacidade de formular boas perguntas às plataformas digitais — os chamados prompts. “A inteligência artificial não substitui as capacidades humanas, mas as amplia”, afirmou.
Hoje, essas ferramentas já são capazes de gerar conteúdos, criar campanhas de marketing, produzir vídeos e automatizar processos de atendimento, impactando diretamente o funcionamento das empresas.
A inovação também chega às etapas industriais do setor. Durante o evento, a empresa Hidexe apresentou uma tecnologia de escaneamento tridimensional de couro, capaz de identificar defeitos invisíveis ao olho humano.
A ferramenta utiliza tecnologia alemã e consegue analisar mais de 300 peles em cerca de 10 segundos, aumentando a precisão no controle de qualidade e reduzindo perdas produtivas.
O fórum também trouxe experiências de empresas do setor que já aplicam tecnologia para melhorar indicadores ambientais, rastreabilidade e eficiência produtiva.
ESG, de tendência a regra
Outro destaque foi o avanço da plataforma ESG Now, criada pelo CICB para monitorar indicadores ambientais em curtumes brasileiros. A ferramenta já avaliou 28 unidades produtivas, analisando aspectos como gestão de efluentes, uso de água e rastreabilidade da cadeia produtiva.
Para os especialistas presentes no fórum, o movimento indica que a sustentabilidade deixou de ser apenas uma tendência e passou a se tornar uma exigência crescente do mercado internacional.
Nesse cenário, a combinação entre tecnologia, inteligência artificial e práticas ESG deve ganhar cada vez mais espaço na indústria do couro brasileira, pressionada por compradores globais que exigem cadeias produtivas mais transparentes e responsáveis.




