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Genética e logística transformam o mercado da melancia

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Verticalização da produção reduz perdas e aproxima a fruta das exigências do consumidor

 

Durante muitos anos, produzir mais foi o principal objetivo da cadeia brasileira da melancia. Agora, o desafio passa a ser produzir melhor. O avanço de variedades de maior valor agregado, aliado aos investimentos em beneficiamento e logística, mostra que a cultura vive um processo de profissionalização que amplia a rentabilidade do produtor e aproxima a fruta das exigências do consumidor moderno.

Esse movimento pode ser observado em Goiás, estado que assumiu a liderança nacional da produção de melancia, com cerca de 270 mil toneladas anuais, superando a Bahia. Em todo o país, a cultura ocupa a quinta posição entre as frutas mais produzidas, com aproximadamente 2 milhões de toneladas por ano, enquanto o Brasil também figura entre os cinco maiores produtores mundiais da fruta.

Mais do que ampliar a produtividade, os investimentos recentes demonstram uma mudança de estratégia da cadeia produtiva. Durante a terceira edição do Tech Show Melancia, realizada em Jussara e Santa Fé de Goiás, um dos destaques foi a inauguração de uma nova unidade de beneficiamento (packing house) com capacidade para processar 50 toneladas diárias. A estrutura simboliza uma tendência crescente de verticalização da produção, agregando valor à fruta antes mesmo de sua chegada ao varejo.

A profissionalização também passa pela genética. O produtor Washington Ferras cultiva cerca de 350 hectares de melancia, destinando mais de 80% da área aos híbridos Pingo Doce e Brabba, desenvolvidos para atender perfis distintos de consumidores. Enquanto a primeira aposta em praticidade, maior teor de açúcar, textura firme e rastreabilidade, a segunda mantém características da melancia tradicional, porém com elevada produtividade e frutos que podem ultrapassar 12 quilos, ampliando as possibilidades de comercialização.

Os resultados desse novo posicionamento já aparecem no mercado. Segundo informações apresentadas durante o evento, a produção da melancia Pingo Doce cresceu 25% nos últimos três anos, acompanhando o avanço do segmento de frutas especiais. Já a demanda pela variedade Brabba, lançada em 2023, aumentou mais de dez vezes no mesmo período, indicando que tanto produtos diferenciados quanto variedades convencionais de alta performance encontram espaço em diferentes canais de comercialização.

Outro aspecto que ganha importância é a eficiência pós-colheita. Com a entrada em operação da nova unidade de beneficiamento, o intervalo entre a colheita e a chegada da fruta ao consumidor deverá cair de cerca de seis dias para aproximadamente três dias, reduzindo em torno de 10% as perdas pós-colheita e aumentando o tempo de permanência da melancia nas gôndolas. A melhoria logística representa ganhos para toda a cadeia, desde o produtor até o varejo e o consumidor final.

Parte dessa evolução tem sido impulsionada por investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento. Entre as empresas que atuam nesse movimento está a BASF Soluções para Agricultura, por meio da marca de sementes e hortaliças Nunhems®, que apresentou durante o Tech Show Melancia tecnologias voltadas ao desenvolvimento de híbridos de alto valor agregado. Segundo a companhia, a combinação entre melhoramento genético e investimentos em pós-colheita busca aumentar a eficiência da cadeia, ampliar a rentabilidade do produtor e atender às novas exigências do mercado consumidor.

A combinação entre genética, infraestrutura e gestão reforça uma tendência observada em diferentes segmentos da horticultura brasileira: produzir frutas de maior qualidade, com melhor conservação e maior valor agregado. Mais do que aumentar o volume colhido, a competitividade passa a depender da capacidade de integrar inovação, eficiência operacional e atendimento às novas exigências do mercado consumidor — um caminho que tende a influenciar o futuro da fruticultura nacional.

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