Especialista do CCAS destaca que sementes sadias reduzem perdas e aumentam a eficiência do manejo fitossanitário
A proteção de uma lavoura começa muito antes da emergência das plantas. Na prática, uma decisão tomada ainda na escolha e no tratamento das sementes pode definir boa parte do potencial produtivo da safra, reduzindo perdas provocadas por doenças e diminuindo a necessidade de intervenções ao longo do ciclo da cultura.

Esse é o alerta do engenheiro-agrônomo José Otávio Menten, professor sênior da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) e presidente do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS). Segundo ele, sementes contaminadas representam uma das formas mais eficientes de disseminação de patógenos, já que transportam o agente causador da doença juntamente com seu hospedeiro, favorecendo a instalação precoce da infecção na lavoura.
Para Menten, quando a doença se estabelece logo no início do desenvolvimento das plantas, os prejuízos tendem a ser maiores. Além de provocar tombamento de plântulas (damping-off), reduzir o estande e comprometer o desenvolvimento radicular, os patógenos presentes nas sementes favorecem sucessivos ciclos de infecção ao longo da safra. Por isso, ele defende que a sanidade receba a mesma atenção dedicada às qualidades genética, física e fisiológica das sementes.
O especialista destaca que o tratamento de sementes continua sendo uma das ferramentas mais eficientes para controlar tanto os patógenos associados ao próprio material propagativo quanto aqueles presentes no solo. Ao reduzir o chamado inóculo inicial, a tecnologia diminui a pressão de doenças nas fases iniciais da cultura e pode reduzir a necessidade de aplicações posteriores de defensivos.
Ao mesmo tempo, a evolução das ferramentas de diagnóstico promete transformar a forma como a sanidade das sementes é monitorada. Segundo Menten, técnicas de biologia molecular, inteligência artificial e análise de grandes volumes de dados deverão tornar os diagnósticos mais rápidos, precisos e acessíveis, permitindo identificar com maior segurança quais patógenos realmente representam risco econômico para cada cultura.
A modernização da agricultura também amplia a importância desse processo. Cultivares mais produtivas e sistemas agrícolas de maior intensidade exigem decisões cada vez mais precisas, baseadas em informações técnicas e científicas. Nesse cenário, o pesquisador aponta o crescimento do tratamento biológico de sementes e sua integração com produtos químicos como uma das principais frentes de inovação na proteção inicial das lavouras.
As reflexões fazem parte da participação de José Otávio Menten no episódio 351 do Mundo Agro Podcast, no qual o pesquisador discutiu os avanços científicos, os desafios futuros e o papel da sanidade das sementes para uma agricultura cada vez mais eficiente, sustentável e orientada por tecnologia.





