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Fertilizantes em queda: o que está por trás da retração

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Do crédito caro à incerteza global, entenda por que o insumo essencial do agro perdeu força em 2026

 

O mercado brasileiro de fertilizantes começou 2026 em ritmo mais lento, refletindo um conjunto de pressões econômicas e geopolíticas que afetam diretamente o campo. Dados da ANDA (Associação Nacional para Difusão de Adubos) mostram que as entregas ao consumidor final somaram 6,92 milhões de toneladas no primeiro bimestre, uma retração de 1,3% frente ao mesmo período de 2025.

O desempenho mais fraco ganha relevância diante de um cenário ainda marcado por crédito caro e juros elevados, fatores que limitam a capacidade de investimento do produtor rural. Em fevereiro, o recuo foi ainda mais acentuado: 3,05 milhões de toneladas entregues, queda de 8,6% na comparação anual.

Regionalmente, o Mato Grosso segue como principal polo consumidor, concentrando 27,5% do volume total, com 1,90 milhão de toneladas. Na sequência aparecem Goiás, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, reforçando a concentração do consumo nas regiões de maior dinamismo agrícola.

A desaceleração também se reflete na indústria nacional. A produção de fertilizantes intermediários fechou fevereiro em 434 mil toneladas, queda de 14,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado do bimestre, o recuo chega a 19,2%, totalizando 931 mil toneladas produzidas.

No comércio exterior, as importações acompanharam o movimento de retração. Foram 5,41 milhões de toneladas no primeiro bimestre, redução de 9,9% frente a 2025. Apenas em fevereiro, o volume importado caiu 25,2%. O Porto de Paranaguá, principal porta de entrada do insumo no país, respondeu por 26,1% do total, com 1,41 milhão de toneladas desembarcadas — também abaixo do registrado no ano anterior.

Mesmo com o recuo generalizado, o comportamento do mercado segue fortemente condicionado ao ambiente internacional e à dinâmica de custos no Brasil. A combinação entre incertezas globais e restrições financeiras domésticas deve continuar influenciando as decisões de compra ao longo da safra, mantendo o setor em compasso de cautela.

Números do mercado de fertilizantes

  • 6,92 milhões t entregues (-1,3%)
  •  -8,6% em fevereiro
  • Produção: -19,2% no bimestre
  • Importações: -9,9%
  • Paranaguá: -17,8%

 O que está pressionando o setor

  • Juros elevados
  • Crédito restrito
  • Incertezas geopolíticas
  • Custos de produção altos
  • Cautela do produtor

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