Dados do Cepea indicam menor volatilidade do boi gordo, aumento do abate e valorização da reposição em um cenário de forte demanda internacional.
A pecuária bovina brasileira encerra 2025 em um cenário de forte desempenho produtivo e comercial, impulsionada sobretudo pelas exportações e pela expansão do confinamento. De acordo com a análise conjuntural do Cepea, o país alcançou recordes históricos de produção, abate e vendas externas, mesmo em um ambiente de preços internos mais estáveis e menor volatilidade ao longo do ano.
As exportações de carne bovina somaram 3,458 milhões de toneladas em 2025, volume 20,3% superior ao de 2024, estabelecendo um novo marco para o setor. A China manteve-se como principal destino, ampliando sua participação de 46% para 48% do total exportado, enquanto os Estados Unidos seguiram como segundo maior comprador, com alta de 18,3% nos embarques. O desempenho ocorreu apesar das tarifas norte-americanas, favorecido pelo câmbio elevado, pela competitividade brasileira e pela menor oferta global de carne.
Para atender à demanda externa, a produção também avançou. Até setembro, o IBGE registrou 8,1 milhões de toneladas de carne bovina produzidas, crescimento de 4,8% frente ao mesmo período de 2024, o maior da série histórica iniciada em 1997. Esse volume foi sustentado por um abate formal de 31,76 milhões de cabeças, alta de 5,9%, com destaque para o aumento expressivo do abate de fêmeas. Vacas e novilhas representaram 48% do total abatido até setembro, ante 44% no mesmo intervalo do ano anterior.
Outro fator decisivo foi a expansão dos confinamentos. A combinação entre arroba reposicionada e milho mais barato estimulou a intensificação, levando a uma estimativa de 8,5 milhões de animais confinados em 2025, superando pela primeira vez a marca de 8 milhões. Mato Grosso consolidou-se como o maior confinador do país. O crescimento das estruturas de grande porte trouxe maior uso de contratos, reduzindo a dependência do mercado spot e alongando as escalas de abate da indústria.
Esse movimento contribuiu para um ano de menor oscilação nos preços do boi gordo. Em São Paulo, o Indicador CEPEA/ESALQ variou entre R$ 291,80 e R$ 328,50/@, amplitude significativamente menor que a observada em 2024. A média real do indicador em 2025 ficou 18% acima da de 2024, mesmo com recuos pontuais, como a queda de 0,6% em dezembro.
No mercado de reposição, a maior demanda por animais jovens elevou os preços do boi magro e do bezerro. Em Mato Grosso do Sul, o ágio entre boi gordo e bezerro subiu de 24% em agosto de 2024 para 37% em dezembro de 2025. A valorização tem estimulado investimentos em genética, com crescimento de 11,5% nas vendas de sêmen de touros de corte no terceiro trimestre.
O conjunto dos dados indica que 2025 foi marcado por crescimento sustentado da pecuária, com exportações como principal motor, preços mais previsíveis ao produtor e ajustes estruturais que tendem a influenciar os próximos ciclos do setor.
MERCADO DO BOI – PRINCIPAIS INDICADORES DE 2025
Fonte: Cepea / IBGE / Secex
- Exportações de carne bovina:
▸ 3,458 milhões de toneladas
▸ Alta de 20,3% em relação a 2024
▸ China respondeu por 48% do volume exportado
▸ EUA ficaram na 2ª posição, com aumento de 18,3% nos embarques - Produção de carne bovina (jan–set/25):
▸ 8,1 milhões de toneladas
▸ Crescimento de 4,8% frente a 2024
▸ Maior volume da série histórica iniciada em 1997 - Abate total (jan–set/25):
▸ 31,76 milhões de cabeças
▸ Alta de 5,9%
▸ Fêmeas representaram 48% do total abatido
▸ Em 2024, participação era de 44% - Confinamento:
▸ Estimativa de 8,5 milhões de animais em 2025
▸ Primeiro ano acima de 8 milhões
▸ Mato Grosso lidera em volume confinado - Preço do boi gordo – SP (Indicador CEPEA/ESALQ):
▸ Faixa anual: R$ 291,80 a R$ 328,50/@
▸ Média real 18% superior à de 2024
▸ Menor volatilidade ao longo do ano - Reposição (MS):
▸ Ágio boi gordo x bezerro: 37% em dez/25
▸ Em ago/24, era de 24%


