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Custo da ração muda mapa do confinamento no Brasil

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Sudeste supera Centro-Oeste pela primeira vez em 2026 e margens do confinamento atingem níveis recordes

 

O custo alimentar, um dos principais determinantes da rentabilidade no confinamento bovino, começou 2026 redesenhando a lógica regional da pecuária intensiva no Brasil. Pela primeira vez no ano, o Sudeste passou a operar com dieta mais barata que o Centro-Oeste, alterando um padrão historicamente consolidado e trazendo novos sinais para o planejamento da atividade.

Segundo o Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP), o Centro-Oeste encerrou março com custo de R$ 13,23 por cabeça/dia, alta de 11,93% em relação a fevereiro, pressionado principalmente pelos insumos energéticos e volumosos. Já no Sudeste, o indicador caiu para R$ 12,19, recuo de 3,64% no mês, consolidando um movimento de alívio iniciado em fevereiro.

A diferença de R$ 1,04 por cabeça/dia marca uma inversão inédita em 2026 e reflete dinâmicas distintas entre as regiões. No Centro-Oeste, o avanço dos custos está associado à pressão dos volumosos (+21,02% frente à média trimestral) e dos energéticos (+12,35%), em um cenário influenciado pela transição entre safras.

No Sudeste, o comportamento foi oposto. A redução nos custos energéticos (-8,74%) e proteicos (-5,11%), favorecida pela maior disponibilidade de coprodutos agroindustriais, compensou a alta expressiva dos volumosos, permitindo queda no custo total da dieta.

Apesar dessa mudança estrutural no custo, a rentabilidade segue em patamares elevados. No mercado físico, o lucro do confinamento alcançou R$ 1.278,79 por cabeça no Centro-Oeste e R$ 1.267,65 no Sudeste, com crescimento superior a 24% em relação ao mês anterior.

“O Índice de Custo Alimentar Ponta mostra inversão regional inédita no ano, com Sudeste operando R$ 1,04 abaixo do Centro-Oeste; margens superam R$ 1.260 por cabeça nas duas regiões”, afirma Paulo Dias, CEO da Ponta.

Outro ponto relevante é a convergência entre os custos de produção. A diferença por arroba produzida caiu para apenas R$ 0,74 entre as regiões, indicando um cenário de maior equilíbrio competitivo no confinamento nacional.

No mercado de exportação, o Sudeste assume leve vantagem, com lucro estimado de R$ 1.324,35 por cabeça, impulsionado por cotações mais elevadas do boi destinado ao mercado chinês.

A inversão observada levanta uma questão central para o setor: trata-se de um ajuste pontual, influenciado pela sazonalidade, ou do início de uma mudança mais duradoura na competitividade regional? A resposta dependerá, sobretudo, do comportamento da safrinha de milho e da dinâmica dos insumos ao longo dos próximos meses.

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